segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Oposição reaglutina forças para derrotar o grupo Sarney em 2010


Os ex-governadores Jackson Lago (PDT) e José Reinaldo Tavares (PSB), os deputados federais Domingos Dutra (PT) e Roberto Rocha (PSDB), o deputado estadual Rubens Júnior (PRTB), o ex-ministro Edson Vidigal (PSB), o ex-candidato a prefeito de São Luís, Clodomir Paz e o ex-deputado estadual Rubens Pereira (PDT) reuniram-se neste final de semana na cidade de Matões, para discutir sobre o atual cenário político e sobre a melhor maneira de garantir a vitória das forças progressistas, nas urnas de 2010.


O grupo busca um entendimento entre os que defendem uma candidatura única e os que acreditam que se deva repetir a fórmula de 2006, com o lançamento de duas ou mais candidaturas. O encontro em Matões foi marcado pela disposição ao diálogo, onde todas as cartas foram colocadas à mesa, e pela sinalização de que as oposições continuam unidas.


"Foi uma demonstração de que as oposições podem mais uma vez trilhar juntas para derrotar o grupo Sarney", definiu Rubens Júnior, deputado que organizou a reunião.


Uma nova rodada de negociações ficou marcada para a próxima sexta-feira em São Luís, com a inclusão do prefeito João Castelo (PSDB) e do deputado federal Flávio Dino (PCdoB). A ampliação da mesa de negociações foi garantida por José Reinaldo Tavares, que convidará Dino, e por Roberto Rocha, que convidará Castelo. "O importante é não deixar que a família Sarney vença e o Maranhão possa se desenvolver", afirmou Tavares.


O ex-governador acredita que o grande aliado das oposições é a população, que não aceita mais os métodos políticos da família Sarney, o que garantirá a vitória em 2010. "Esse é um sentimento que está em todo o Maranhão, até mais na população do que nos próprios políticos", declarou.


A união das oposições também é defendida pelo ex-governador Jackson Lago, que considerou a reunião bastante positiva e mostrou-se aberto ao diálogo, embora defenda a tese da candidatura única. "Ainda temos bastante tempo pela frente para acertarmos todos os ponteiros", disse Lago, que reafirmou a sua disposição de sair candidato ao governo, caso a população assim deseje.


Divino - O grupo participou da abertura do Troféu Rural, campeonato de futebol promovido pela Prefeitura, que reúne 48 times representantes dos povoados de Matões. Coube ao ex-ministro Edson Vidigal fazer o discurso de saudação aos atletas, e aproveitou para lembrar que assim como no esporte, na política deve-se competir, mas com civilidade. Ele defendeu a harmonia do grupo, mesmo com todas as diferenças que o momento impõe.


O deputado Rubens Júnior concordou com a avaliação de Vidigal e observou que nunca a situação esteve tão favorável para a vitória das oposições contra a candidatura da governadora Roseana Sarney. "Na eleição passada, por exemplo, ela sempre esteve à frente. Mas desta vez é diferente; somos nós que estamos com a preferência da população", disse.


A reunião organizada pelo deputado foi também um convite para que todos participassem da tradicional Festa do Divino, que reuniu cerca de 40 mil pessoas durante os três dias de sua programação religiosa e de shows de forró do 5º Matões Fest, promovido pela prefeita Suely Pereira. "É uma honra receber as lideranças comprometidas com o desenvolvimento do nosso estado", destacou Suely, que aproveitou para lamentar a decisão do atual governo em seqüestrar os convênios que o ex-governador Jackson Lago celebrou com os municípios.


A prefeita, que recorreu à Justiça para reaver os recursos desses convênios, lembrou que por sorte do município a governadora Roseana Sarney esqueceu de seqüestrar o convênio da área da educação. "Com isso estamos construindo dez escolas, das quais cinco já estão prontas", comemorou.

PARADA GAY TRANSFORMA-SE EM ATO CONTRA SARNEY


Com panfletos destacando a frase “Fora Sarney” vários grupos de homossexuais se destacaram na 8° Parada da Diversidade Sexual, ocorrida na tarde de sexta-feira (28) nas ruas do centro de Teresina. O evento reuniu na capital do Piauí mais de cinco mil pessoas entre adeptos e simpatizantes da causa.


Um diferencial na parada deste ano foi de jovens que aproveitaram o momento da manifestação para chamar atenção da sociedade quanto a crise do senado. No panfleto, eles usando de máscaras e outros adereços pediam a saída do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).
Na concentração, pessoas de todos os grupos sociais levavam apitos, faixas e fantasias como forma de protesto.


Entre os nomes públicos que participaram da Parada, estavam os deputados estaduais piauienses Fábio Novo e Flora Isabel do PT e a jornalista Cristiane Sekeff.


(Com informações do Portal AZ)

Aposta do PV para sucessão, Marina diz que decisão sobre candidatura só sai em 2010


Considerada por militantes do PV (Partido Verde) o principal nome para concorrer às eleições presidenciais em 2010 pelo partido, a senadora Marina Silva (AC) evitou, neste domingo, oficializar sua pré-candidatura à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após 30 anos no PT, a ex-ministra assinou hoje em São Paulo --em evento que reuniu mais de 1.000 pessoas-- sua entrada na legenda, aos gritos de "Brasil, urgente, Marina presidente".


Segundo ela, no entanto, a decisão sobre a candidatura à Presidência só deverá sair no próximo ano. "A decisão que for tomada em 2010 tem que vir de um processo que está evoluindo de forma positiva. Obviamente que me sinto honrada com o convite e à forma com que a sociedade recebe a indicação de uma eventual candidatura. Mas essa é uma decisão que vamos tomar em 2010", disse a senadora, em entrevista.


Em discurso --que durou cerca de 40 minutos--, Marina lembrou da saída do PT, que classificou como "dolorosa". "Chego até aqui e não posso dizer que o percurso foi fácil. Tenho 30 anos de militância no PT, fizemos coisas muito boas, mas sofremos alguns constrangimentos pelos erros de poucos", afirmou, emocionada.


"Eu me comovi e me movi para este desafio [a entrada no PV]. Foi um processo difícil e doloroso", disse a senadora que, em diversos momentos, falou sobre seu entusiasmo em enfrentar o "desafio da sustentabilidade" dentro da nova sigla.


"Não venho com o sonho do partido perfeito que acalentei na juventude, mas com a certeza que os homens e mulheres de bem aperfeiçoe as instituições partidárias", discursou.


Comício

Marina foi recebida em clima de comício pelos novos colegas de sigla. Ao entrar no salão, os membros do partido gritavam "Brasil, urgente, Marina presidente" e a aplaudiam em diversos momentos. Um vídeo com trechos da trajetória de Marina foi transmitido no início do evento.
Em discurso, o presidente do partido, José Luiz Penna, afirmou estar honrado com a entrada da ex-ministra na legenda, e disse que a mudança representa "um importante passo na luta pelo meio ambiente".


O líder do PV na Câmara, deputado José Sarney Filho (MA), afirmou que, com a entrada da senadora na sigla, já possível sentir o "efeito Marina" no país. "A sua entrada do Partido Verde e a possibilidade de concorrer à presidência do Brasil dá a oportunidade de qualificar a disputa eleitoral. O 'efeito Marina' já está acontecendo", afirmou.
Estão presentes no evento também os atores Vitor Fasano e Cristiane Torloni, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), entre outros.
Ao deixar o PT, Marina afirmou que o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ofereceu "condições políticas" para avanços na questão ambiental.


Em entrevista na qual anunciou sua decisão de deixar o PT, Marina agradeceu a um grupo de petistas que a pressionaram a permanecer na legenda, sem mencionar o presidente Lula.

domingo, 30 de agosto de 2009

Oposição estará outra vez unida para derrotar sarneísmo em 2010




Os ex-governadores Jackson Lago (PDT) e José Reinaldo Tavares (PSB), os deputados federais Domingos Dutra (PT) e Roberto Rocha (PSDB), o deputado estadual Rubens Júnior (PRTB), o ex-ministro Edson Vidigal (PSB), o ex-candidato a prefeito de São Luís, Clodomir Paz e o ex-deputado estadual Rubens Pereira (PDT) se reuniram neste final de semana na cidade de Matões para discutir as eleições de 2010 e a melhor maneira de garantir a vitória das forças progressistas no estado.




O grupo busca um entendimento entre os que defendem uma candidatura única e os que acreditam que se deva repetir a fórmula de 2006, com o lançamento de duas ou mais candidaturas. A rodada de Matões foi marcada pela disposição ao diálogo, onde todas as cartas foram colocadas à mesa, e pela sinalização de que as oposições continuam unidas.




- Foi uma demonstração de que as oposições podem mais uma vez trilhar juntas para derrotar o grupo Sarney – definiu Rubens Júnior, deputado que organizou a reunião.




Uma nova rodada de negociações ficou marcada para esta sexta-feira em São Luís, com a inclusão do prefeito João Castelo (PSDB) e do deputado federal Flávio Dino (PC do B). A ampliação da mesa de negociações foi garantida por José Reinaldo Tavares, que convidará Dino, e por Roberto Rocha, que convidará Castelo.






- O importante é não deixar que a família Sarney vença e o Maranhão possa se desenvolver – avisou Tavares.


O ex-governador acredita que o grande aliado das oposições é a população, que não aceita mais os métodos políticos da família Sarney, o que garantirá a vitória em 2010.




- Esse é um sentimento que está em todo o Maranhão, até mais na população do que nos próprios políticos - explica.


A união das oposições também é defendida pelo ex-governador Jackson Lago que considerou a reunião bastante positiva e mostrou-se aberto ao diálogo, embora defenda a tese da candidatura única.




-Ainda temos bastante tempo pela frente para acertarmos todos os ponteiros – disse Lago, que reafirmou a sua disposição de sair candidato ao governo, caso a população assim deseje.




Divino


O grupo participou da abertura do Troféu Rural, campeonato de futebol promovido pela Prefeitura, que reúne 48 times representantes dos povoados de Matões. Coube ao ex-ministro Edson Vidigal fazer o discurso de saudação aos atletas, a aproveitou para lembrar que assim como no esporte, na política deve-se competir, mas com civilidade. Ele defendeu a harmonia do grupo, mesmo com todas as diferenças que o momento impõe.




O deputado Rubens Júnior concordou com a avaliação de Vidigal e observou que nunca a situação esteve tão propícia para a vitória das oposições contra a candidatura da atual governadora Roseana Sarney.
- Na eleição passada, por exemplo, ela sempre esteve à frente. Mas desta vez é diferente, somos nós que estamos com a preferência da população – disse.




A reunião organizada pelo deputado foi também um convite para que todos participassem da tradicional Festa do Divino, que reuniu mais de 50 mil pessoas durante os três dias de sua programação religiosa e de shows de forró do 5º Matões Fest, promovido pela prefeita Suely Pereira.


- É uma honra receber as lideranças comprometidas com o desenvolvimento do nosso estado – destacou Suely, que aproveitou para lamentar a decisão do atual governo em seqüestrar os convênios que o ex-governador Jackson Lago celebrou com os municípios.




A prefeita que entrou na Justiça para reaver os recursos desses convênios lembrou que por sorte do município a governadora Roseana Sarney esqueceu de seqüestrar o convênio da área da educação.- Com isso estamos construindo dez escolas, das quais cinco já estão prontas – comemora.


Infarto mata infectologista!


Morreu na tarde deste domingo, aos 46 anos, vítima de infarto, no UDI Hospital, o médico Wellington da Silva Mendes (foto). Um dos profissionais mais renomados na área de infectologia no Maranhão, ele vinha se destacando nos últimos meses por sua atuação nas ações de prevenção e tratamento da gripe suína no estado.

Wellington Mendes era graduado em Medicina pela Universidade Federal do Maranhão (1984). Possuía ainda os títulos de mestrado em Saúde e Ambiente, também pela UFMA (1998) e doutorado em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Universidade de São Paulo (2004).


Era professor adjunto do Departamento de Medicina da UFMA, coordenador do comitê de doenças emergentes e re-emergentes da Sociedade Brasileira de Infectologia, consultor do comitê de hantavírus do Ministério da Saúde e consultor da Fundação de Amparo a Pesquisa do Maranhão (FAPEMA), do Distrito Federal (FAPDP) e do PIBIC-UFMA.

Tinha vasta experiência na área de Medicina, com ênfase em doenças infecciosas e parasitárias, atuando principalmente no tratamento de doenças como hantavirose, aids, dengue e raiva humana. Ultimamente, vinha prestando consultoria à Secretaria Estadual de Saúde nas ações de prevenção e tratamento da gripe suína no Maranhão.

Eros Grau nega pedido para reabrir ações contra Sarney


ESSA TOGA É DO OLIGARCA

O julgamento definitivo do caso ocorrerá em data ainda não definida

José Sarney foi ‘padrinho’ de Grau em sua indicação ao Supremo


O ministro Eros Grau, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou no fim da noite de sexta-feira, a reabertura dos processos que envolvem o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

A decisão do ministro do STF para o mandado de segurança (MS/28213) impetrado por um grupo de sete senadores é em caráter liminar (provisório). O julgamento definitivo do caso ocorrerá em data ainda não definida. O teor da decisão não foi divulgado pelo Supremo.

O relator do caso é o ministro Joaquim Barbosa, que não analisou o pedido por estar de licença médica desde o último dia 10. A previsão é que Barbosa retome suas atividades no Supremo na próxima semana.
Pedido – No texto encaminhado na quinta-feira ao STF, os senadores pedem que o tribunal anule a decisão da Mesa Diretora do Senado, além de permitir que o plenário da Casa julgue o recurso.

“O recurso visa permitir ao plenário do Senado manifestar-se acerca das decisões do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado e de seu presidente, que ordenaram o arquivamento de representações e denúncias propostas contra o senador José Sarney’, diz o mandado.

Os senadores argumentam que há acusações suficientes contra Sarney para que as denúncias não sejam arquivadas pela Casa. “As representações e denúncias, pelas razões nelas expostas, pelos indícios de prova colacionados, pelos aspectos formais e regimentais das peças apresentadas e pelos pedidos efetuados, são absolutamente adequadas para iniciar o processo disciplinar competente para investigar as representações contra o senador José Sarney à luz da ética e do decoro parlamentar”, dia ainda o texto.

Segundo os sete parlamentares, a Mesa Diretora do Senado, por intermédio de Serys, não tem poderes para negar o recurso contra os arquivamentos sumariamente. “Não havia, como não há, razões jurídicas ou fáticas para o arquivamento das representações e das denúncias contra o senador. Do mesmo modo não há razão para que a Mesa Diretora não receba de recurso interposto pelos impetrantes.”

O mandado de segurança é assinado pelos senadores José Nery (PSOL-PA), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Renato Casagrande (PSB-ES), Kátia Abreu (DEM-TO), Demóstenes Torres (DEM-GO), Pedro Simon (PMDB-RS), Jefferson Praia (PDT-AM).

(Folha Online)

‘No Brasil não se apura nada’, afirma Simon sobre Sarney

‘REPÚBLICA DOS ARQUIVAMENTOS’


O senador Pedro Simon (PMDB-RS) resumiu na sexta-feira com uma frase o arquivamento das denúncias contra o deputado Antonio Palocci (PT-SP), no Supremo Tribunal Federal (STF), e contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética da Casa. “Ficou provado que no Brasil não se apura nada”, afirmou.


Simon esteve em São Paulo, onde participou de evento organizado por estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, no centro da cidade. Respondendo a perguntas dos alunos e professores, o senador gaúcho foi provocado e respondeu no mesmo tom. “Se houvesse movimento da sociedade, duvido que o Sarney não teria renunciado”, desafiou.


Questionado sobre o que seria necessário fazer para “reverter o problema da impunidade no país”, o senador avisou que é preciso uma manifestação de “fora (do povo) para dentro (do Congresso)”. De acordo com ele, esta seria a única saída possível. “Se Jader e Renan renunciaram e não aconteceu nada, com Sarney é que não vai acontecer nada mesmo”, lamentou.


Simon lembrou dos recentes casos de corrupção na Inglaterra, em que os deputados foram punidos. Recordou da Operação Mãos Limpas, que resultou em cassações na Itália. E sublinhou que no Brasil ninguém é julgado. “Porque de dentro do Congresso e do Supremo Tribunal Federal não vai sair nada. Do presidente Lula não vai sair nada. E não adianta destituir o Conselho de Ética, porque o STF acaba arquivando tudo”, observou.


Um único momento de descontração surgiu durante o encontro, que durou 3 horas, quando Simon recebeu a informação de seu assessor de que a representação do PSOL no STF - pedindo trâmite de recurso contra o arquivamento das denúncias contra Sarney - será relatada pelo ministro Joaquim Barbosa. “Essa é uma boa notícia, acho que vamos ganhar”, sorriu. [Mais tarde, o ministro Eros Grau, a quem o recurso foi encaminhado, uma vez que Joaquim Barbosa está de licença médica, negou a reabertura dos processos. A decisão é em caráter liminar (provisório)].


PMDB e Marina – “O comando do PMDB se vende para quem pagar mais”, afirmou Simon sobre a eleição presidencial do próximo ano. “O PMDB vai mamar nos braços de quem ganhar”, anotou, referindo-se à candidatura petista da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e à candidatura tucana ainda não definida entre os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG).


A possível candidatura da senadora Marina Silva (sem partido-AC) pelo Partido Verde empolga o senador sobre as eleições de 2010. Na opinião dele, a ex-ministra do Meio Ambiente “dá outro caráter para a disputa” e “vai mudar o tom da campanha”. “Sai de cena o conteúdo do qual o povo já está de saco cheio.”

A ressalva, porém, parte do comando do Partido Verde. O deputado Zequinha Sarney (MA), filho do presidente do Senado, preside a legenda e foi lembrado por Simon. “A gente acha que o Sarney nasceu com aquilo virado para a lua, mas não. A lua está no lugar daquilo dele, porque o Zequinha está no PV”, afirmou o senador gaúcho, arrancando aplausos e risos dos estudantes.

‘Quero preservar as utopias’, diz Marina Silva

ENTREVISTA

Com biografia sem nódoas, a senadora verde diz por que deixou o PT e o que defenderá na corrida à Presidência

SANDRA BRASIL
DA VEJA


A senadora Marina Silva, do Acre, causou um abalo amazônico ao Partido dos Trabalhadores. Depois de trinta anos de militância aguerrida, abandonou a legenda e marchou para o Partido Verde, seduzida por um convite para ser a candidata da agremiação à Presidência da República em 2010. Para o PT, o prejuízo foi duplo: não só perdeu um de seus poucos integrantes imaculadamente éticos, como ganhou uma adversária eleitoral de peso. Os petistas temem, e com razão, que a candidatura de Marina tire muitos votos da sua candidata ao Planalto, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Na semana passada, Marina, de 51 anos, casada, quatro filhos, explicou a Veja as razões que a levaram a deixar o PT – e opinou sobre temas como aborto, legalização da maconha e criacionismo.

A senhora será candidata a presidente pelo Partido Verde?
Ainda não é hora de assumir candidatura. Há uma grande possibilidade de que isso aconteça, mas só anunciarei minha decisão em 2010.

Se sua candidatura sair, como parece provável, que perfil de eleitor a senhora pretende buscar?
Os jovens. Eles estão começando a reencontrar as utopias. Estão vendo que é possível se mobilizar a favor do Brasil, da sustentabilidade e do planeta. Minha geração ajudou a redemocratizar o país porque tínhamos mantenedores de utopia. Gente como Chico Mendes, Florestan Fernandes, Paulo Freire, Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, que sustentava nossos sonhos e servia de referência. Agora, aos 51 anos, quero fazer o que eles fizeram por mim. Quero ser mantenedora de utopias e mobilizar as pessoas.


Sua saída abalou o PT. Além da possibilidade de disputar o Planalto, o que mais a moveu?
O PT teve uma visão progressista nos seus primeiros anos de vida, mas não fez a transição para os temas do século XXI. Isso me incomodava. O desafio dos nossos dias é dar resposta às crises ambiental e econômica, integrando duas questões fundamentais: estimular a criação de empregos e fomentar o desenvolvimento sem destruir o planeta. O crescimento econômico não pode acarretar mais efeitos negativos que positivos. Infelizmente, o PT não percebe isso. Cansei de tentar convencer o partido de que a questão do desenvolvimento sustentável é estratégica – como a sociedade, aliás, já sabe. Hoje, as pessoas podem eleger muito mais do que o presidente, o senador e o deputado. Elas podem optar por comprar madeira certificada ou carne e cereais produzidos em áreas que respeitam as reservas legais. A sociedade passou a fazer escolhas no seu dia a dia também baseada em valores éticos.


A crise moral que se abateu sobre o PT durante o governo Lula pesou na decisão?
Os erros cometidos pelo PT foram graves, mas estão sendo corrigidos e investigados. Quando da criação do PT, eu idealizava uma agremiação perfeita. Hoje, sei que isso não existe. Minha decisão não foi motivada pelos tropeços morais do partido, mesmo porque eles foram cometidos por uma minoria. Saí do PT, repito, por falta de atenção ao tema da sustentabilidade.


Ou seja, apesar de mudar de sigla, a senhora não rompeu com o petismo?
De jeito nenhum. Tenho um sentimento que mistura gratidão e perda em relação ao PT. Sair do partido foi, para mim, um processo muito doloroso. Perdi quase 3 quilos. Foi difícil explicar até para meus filhos. No álbum de fotografias, cada um deles está sempre com uma estrelinha do partido. É como se eu tivesse dividido uma casa por muito tempo com um grupo de pessoas que me deram muitas alegrias e alguns constrangimentos. Mudei de casa, mas continuo na mesma rua, na mesma vizinhança.


No período em que comandou o Ministério do Meio Ambiente, a senhora acumulou desavenças com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Como será enfrentá-la em sua eventual campanha à Presidência?
Não vou me colocar numa posição de vítima em relação à ministra Dilma. Quando eu era ministra e tínhamos divergências, era o presidente Lula quem arbitrava a solução. Não é por ter divergências com Dilma que vou transformá-la em vilã. Acredito que o Brasil pode fazer obras de infra-estrutura com base no critério de sustentabilidade. Temos visões diferentes, mas não vou fazer o discurso fácil da demonização de quem quer que seja.


Um de seus maiores embates com a ministra Dilma foi causado pelas pressões da Casa Civil para licenciar as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira. A senhora é contra a construção de usinas?
No Brasil, quando a gente levanta algum “porém”, já dizem que somos contra. Nunca me opus a nenhuma hidrelétrica. O que aconteceu naquele caso foi que eu disse que, antes de construir uma usina enorme no meio do rio, era preciso resolver o problema do mercúrio, de sedimentos, dos bagres, das populações locais e da malária. E eu tinha razão. Como as pessoas traduziram a minha posição? Dizendo que eu era contra hidrelétricas. Isso é falso.


Se a senhora for eleita presidente, proibirá o cultivo de transgênicos?
Eis outra falácia: dizer que sou contra os transgênicos. Nunca fui. Sou a favor, isso sim, de um regime de coexistência, em que seria possível ter transgênicos e não transgênicos. Mas agora esse debate está prejudicado, porque a legislação aprovada é tão permissiva que não será mais possível o modelo de coexistência. Já há uma contaminação irreversível das lavouras de milho, algodão e soja.


O que a senhora mudaria no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)?
Eu não teria essa visão de só acelerar o crescimento. Buscaria o desenvolvimento com sustentabilidade, para que isso pudesse ser traduzido em qualidade de vida para as pessoas. Obviamente, é necessário que o país tenha infra-estrutura adequada. Mas é preciso evitar os riscos e problemas que os empreendimentos podem trazer, sobretudo na questão ambiental.

Na economia, faria mudanças?
Não vou me colocar no lugar dos economistas. Prefiro ficar no lugar de política. Em linhas gerais, acho que o estado não deve se colocar como uma força que suplanta a capacidade criativa do mercado. Nem o estado deve ser onipresente, nem o mercado deve ser deificado. Também gosto da idéia do Banco Central com autonomia, como está, mas acho que estão certos os que defendem juros mais baixos.


No seu novo partido, o PV, há uma corrente que defende a descriminalização da maconha. Como a senhora se posiciona a respeito desse assunto?
Não sou favorável. Existem muitos argumentos em favor da descriminalização. Eles são defendidos por pessoas sérias e devem ser respeitados. Mas questões como essa não podem ser decididas pelo Executivo, e sim pelo Legislativo, que representa a sociedade. A minha posição não será um problema, porque o PV pretende aprovar na próxima convenção uma cláusula de consciência, para que haja divergências de opinião dentro do partido.


Os Estados Unidos elegeram o primeiro presidente negro de sua história, Barack Obama. Ele é fonte de inspiração?
Eu também sou negra, mas seria muito pretensioso da minha parte me colocar como similar ao Obama. Ele é uma inspiração para todas as pessoas que ousam sonhar. A questão racial teve um peso importante na eleição americana. Mas os Estados Unidos têm uma realidade diferente da do Brasil. Eu nunca fui vítima de preconceito racial aqui.


A senhora poderia se apresentar como uma candidata negra na campanha presidencial?
Não. É legítimo que as pessoas decidam votar em alguém por se identificar com alguma de suas características, como o fato de ser mulher, negra e de origem humilde. Mas seria oportunismo explorar isso numa campanha. O Brasil tem uma vasta diversidade étnica e deve conviver com as suas diferentes realidades. Caetano Veloso já disse que “Narciso acha feio o que não é espelho”. Nós temos de aprender a nos relacionar com as diferenças, e não estimular a divisão. A história engraçada é que, durante as prévias do Partido Democrata americano, quando a Hillary Clinton disputava a vaga com Obama, um amigo meu brincou comigo dizendo que os Estados Unidos tinham de escolher entre uma mulher e um negro, e, se eu fosse candidata no Brasil, não teríamos esse problema, porque sou mulher e negra.


A senhora é a favor da política de cotas raciais para o acesso às universidades?
Há quem ache que as cotas levam à segregação, mas eu sou a favor de que se mantenha essa política por um período determinado. Acho que há, sim, um resgate a ser feito de negros e índios, uma espécie de discriminação positiva.
Mas a senhora entrou numa universidade pública sem precisar de cotas, embora seja negra, de origem humilde e alfabetizada pelo Mobral.
Sou uma exceção. Tenho sete irmãos que não chegaram lá.


Aos 16 anos, a senhora deixou o seringal e foi para a cidade, a fim de se tornar freira. Como uma católica tão fervorosa trocou essa religião pela Assembléia de Deus?
Fui católica praticante por 37 anos, um aspecto fundamental para a construção do meu senso de ética. Meu ingresso na Assembléia de Deus foi fruto de uma experiência de fé, que não se deu pela força ou pela violência, mas pelo toque do Espírito. Para quem não tem fé, não há como compreender. Esse meu processo interior aconteceu em 1997, quando já fazia um ano e oito meses que eu não me levantava da cama, com diagnóstico de contaminação por metais pesados. Hoje, estou bem.


A senhora é mesmo partidária do criacionismo, a visão religiosa segundo a qual Deus criou o mundo tal como ele é hoje, em oposição ao evolucionismo?
Eu creio que Deus criou todas as coisas como elas são, mas isso não significa que descreia da ciência. Não é necessário contrapor a ciência à religião. Há médicos, pesquisadores e cientistas que, apesar de todo o conhecimento científico, crêem em Deus.


O criacionismo deveria ser ensinado nas escolas?
Uma vez, fiz uma palestra em uma escola adventista e me perguntaram sobre essa questão. Respondi que, desde que ensinem também o evolucionismo, não vejo problema, porque os jovens têm a oportunidade de fazer suas escolhas. Ou seja, não me oponho. Mas jamais defendi a idéia de que o criacionismo seja matéria obrigatória nas escolas, nem pretendo defender isso. Sou professora e uma pessoa que tem fé. Como 90% dos brasileiros, acredito que Deus criou o mundo. Só isso.


A senhora é contra todo tipo de aborto, mesmo os previstos em lei, como em casos de estupro?
Não julgo quem o faz. Quando uma mulher recorre ao aborto, está em um momento de dor, sofrimento e desamparo. Mas eu, pessoalmente, não defendo o aborto, defendo a vida. É uma questão de fé. Tenho a clareza, porém, de que o estado deve cumprir as leis que existem. Acho apenas que qualquer mudança nessa legislação, por envolver questões éticas e morais, deveria ser objeto de um plebiscito.


Seu histórico médico inclui doenças muito sérias, como cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose. A senhora acredita que tem condições físicas de enfrentar uma campanha presidencial?
Ainda não sou candidata, mas, se for, encontrarei forças no mesmo lugar onde busquei nas quatro vezes em que cheguei a ser desenganada pelos médicos: na fé e na ciência.

‘Corda sempre estoura do lado fraco’, afirma ministro Marco Aurélio, do STF

No dia seguinte ao julgamento que livrou o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci de responder processo criminal pela quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, por 5 votos contra 4, o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello avaliou que “a corda acabou estourando do lado mais fraco”.


Marco Aurélio foi um dos quatro ministros que votaram pela abertura da ação para investigar Palocci. Assim como Cármen Lúcia, Ayres Britto e Celso de Mello, ele entendeu que havia indícios suficientes para transformá-lo em réu.

”Se você perguntar a qualquer um do povo se ele acha que Palocci mandou quebrar o sigilo, verá que a sensação é de que ele tinha interesse nisso. Ele é o único beneficiado. Isso é de uma clareza solar. A corda acabou estourando do lado mais fraco, como sempre.”

No Rio, o ministro Carlos Ayres Brito disse que “sigilo bancário é um direito fundamental e só pode ser quebrado com ordem judicial. E o caseiro é um homem simples, que teve a coragem de apresentar uma denúncia contra três autoridades. Para a denúncia, o que se exige são indícios, não uma prova cabal, que só é necessária para a condenação. Para mim existiam indícios, mas a maioria entendeu que não”, disse.
Os ministros vencidos argumentam que a denúncia continha todos os requisitos exigidos pelo Código do Processo Penal - a exposição do crime e os indícios contra os acusados.


O presidente do STF, Gilmar Mendes, e outros quatro ministros - Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Cezar Peluso e Ellen Gracie - não entenderam assim e rejeitaram o pedido do Ministério Público Federal, por considerar que não havia provas suficientes de que Palocci tenha agido de forma irregular na violação do sigilo do caseiro.

Para Mendes, as investigações reuniram “meras suposições que não legitimam por si só a abertura de ação penal”: “O julgamento penal é um julgamento técnico, não se trata de um julgamento de caráter moral”, e a absolvição de Palocci não pode ser encarada como um conflito entre pessoas simples e poderosas: “As pessoas começam a colocar como se tivesse havido uma absolvição ou que o tribunal tivesse feito uma opção entre o poderoso e o caseiro. Não é nada disso”.

”Os fatos, todos eles, eram deploráveis. E o tribunal, entendendo que havia violação do sigilo feita por um funcionário do banco, Jorge Mattoso, recebeu a denúncia em relação a ele. Isso parece que está sendo esquecido”, disse. O STF só abriu processo contra Jorge Mattoso, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. O ex-assessor de Palocci Marcelo Netto também não será julgado.

Sarney e Lobão foram os ‘padrinhos’ de Eros Grau em sua indicação ao Supremo

POR OSWALDO VIVIANI


No final de junho de 2004, o então presidente do Senado, José Sarney, esteve na cerimônia de posse do advogado Eros Roberto Grau no cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

O senador Edison Lobão (PMDB), atual ministro de Minas e Energia, indicado por Sarney, era presidente da Comissão de Constituição e Justiça que fez de Eros Grau ministro do STF.

A reunião que formalizou a indicação de Grau aconteceu no dia 25 de maio de 2004. Ele foi indicado por unanimidade - 20 votos a favor - para ocupar a vaga do ex-presidente daquela Corte, Maurício Corrêa, que se aposentou compulsoriamente por ter completado 70 anos.

Estiveram presentes na solenidade de posse de Eros Grau, além de Sarney, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o então presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, e inúmeras outras autoridades, entre elas o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu.
Em maio passado, o ministro Eros Grau renunciou à sua vaga no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um mês depois de relatar o processo de cassação do governador Jackson Lago (PDT), adversário político do grupo Sarney, integrado por Edison Lobão. Grau deu voto a favor da cassação de Lago, que deixou o governo em abril. Assumiu o posto a segunda colocada no pleito de 2006, Roseana Sarney (PMDB), filha de José Sarney.

As relações de Eros Grau com o sarneysismo passam ainda por sua pretensão de entrar para a Academia Brasileira de Letras, pelas mãos de José Sarney, que tem grande influência na Casa de Machado de Assis.
Sobre o assunto, a revista CartaCapital, uma das mais conceituadas do país, divulgou este ano, na coluna “Rosa dos Ventos” a seguinte nota, sob o título “A um passo da imortalidade”:

“O ministro Eros Grau, do STF, anda atrás da imortalidade. Ele tem freqüentado a Academia Brasileira de Letras, onde o ex-presidente José Sarney é eleitor e uma voz muito influente. Como perguntar não ofende, aqui vai a pergunta: ao votar no Tribunal Superior Eleitoral pelo impedimento do governador do Maranhão, Jackson Lago, e com isso beneficiar Roseana Sarney, Grau não estava metido em um conflito de interesses?”

O ministro Eros Grau também foi o relator do processo de cassação do governador paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB). Ele se manifestou pela cassação e negou-se a acatar qualquer recurso interposto pela defesa do governador. Cunha Lima foi cassado em fevereiro passado. Em seu lugar, o TSE mandou assumir o segundo colocado nas eleições, José Maranhão (PMDB), ligado a José Sarney.

sábado, 29 de agosto de 2009

Com licença de Barbosa no STF, caso Sarney é enviado a Eros Grau

São Paulo - O mandado de segurança apresentado por sete senadores no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o arquivamento dos processos que envolvem o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi encaminhado ontem ao ministro Eros Grau.


A medida foi tomada com base no Regimento Interno do Supremo, uma vez que o ministro Joaquim Barbosa, relator do caso, está de licença médica desde 10 de agosto.

O regimento prevê que, em caso de ausência ou impedimento eventual, o relator deve ser substituído pelo imediato em antiguidade. A medida deve ser aplicada quando se tratar de deliberação sobre medida urgente.


No caso de Sarney, os senadores pediram uma liminar (decisão antecipada) para que o Supremo autorize o plenário do Senado a julgar o recurso contra o arquivamento dos processos pelo Conselho de Ética da Casa -que foi arquivado pela segunda vice-presidente do Senado, Serys Slhessarenko (PT-MT). Essa é a segunda mudança na relatoria do caso de Sarney no Supremo. Ontem, o ministro Celso de Mello se declarou de relatar o mandado de segurança ao alegar razões de “foro íntimo”.


Com a recusa, o processo foi devolvido ao presidente da Corte, Gilmar Mendes, que encaminhou o mandado de segurança a Joaquim Barbosa. A previsão é que Barbosa retome suas atividades no Supremo na próxima semana.


O mandado de segurança é assinado por parte do grupo de 12 senadores que apresentaram o recurso à Mesa Diretora do Senado contra o arquivamento. Ao negar o pedido dos senadores, Serys argumentou que a palavra final sobre os processos é do Conselho de Ética, sem a análise do plenário, o que motivou o novo recurso ao STF. No texto encaminhado ao Supremo, os senadores pedem que o tribunal anule a decisão da Mesa Diretora do Senado, assinada por Serys, além de permitir que o plenário da Casa julgue o recurso.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

José Sarney quer deixar cassações com Supremo


ANDREZA MATAIS

e ADRIANO CEOLIN

Da Folha de S. Paulo


Proposta tira competência de cassar mandatos do Congresso e impede que partidos entrem com açõesDepois de defender o fechamento do Conselho de Ética do Senado, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), elaborou uma emenda constitucional para transferir do Congresso para o STF (Supremo Tribunal Federal) a competência de cassar o mandato de congressistas. A proposta retira dos partidos políticos a possibilidade de ingressar com representação por quebra de decoro.
O texto, a que a Folha teve acesso, altera a Constituição de forma que apenas as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, compostas por um grupo pequeno de congressistas, possam provocar o Supremo a abrir os processos.


Atualmente, a Câmara e o Senado é que podem decidir pela cassação do mandato com relação a questões éticas, segundo o artigo 55 da Constituição.


A minuta da proposta foi enviada a gabinetes de aliados. “Recebi uma proposta do Sarney, então não vou apresentar a minha. Concordo com ele”, disse o presidente do conselho, Paulo Duque (PMDB-RJ).


Anteontem, a assessoria de Sarney afirmou que ele não irá apresentar a proposta oficialmente, que o texto foi encaminhado para o seu grupo político para discussão e foi baseado em estudo feito a pedido de Sarney, que escreveria um artigo para a Folha sobre o tema.


O vazamento da informação é que fez Sarney mudar de posição. Ele quer evitar polêmicas no momento em que tenta retomar a normalidade na Casa. Outro senador do PMDB deve assumir sua proposta.


A justificativa da emenda diz que a maioria das representações são fundamentadas em notícias, muitas vezes escritas com esse propósito. É o mesmo argumento utilizado por Duque para respaldar o arquivamento dos 11 pedidos de investigação contra Sarney. “Se nada fizermos para extirpar a intriga política miúda de nosso parlamento, a disputa fratricida nos destruirá a todos”, diz o texto.


Parlamentares da oposição e do governo concordam com mudanças no Conselho. Na terça-feira, o DEM e o PSDB renunciaram às vagas no colegiado em protesto contra o arquivamento das representações contra Sarney. O PT também tem projeto que defende a extinção do Conselho. Outras idéias em discussão transferem para a Comissão de Constituição e Justiça ou para um grupo de senadores sem problemas na Justiça a decisão sobre perda de mandato.


O PT encolheu

Um artigo na edição desta semana da revista britânica “The Economist” afirma que o PT se reduziu ao papel de manter seu líder, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no poder.


Comentando a recente crise no Senado causada pelas denúncias contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e saída dos senadores Flávio Arns e Marina Silva do PT, a publicação afirma que o partido, que se via “socialista, ético, jovem e até romântico” no seu início, “reduziu-se ao papel de fazer com que Lula chegasse ao poder e se mantivesse nele”.
A “The Economist” afirma que a recente crise começou quanto Lula “utilizou seu poder” para levar o PT a apoiar Sarney, que a revista classifica como “um líder político antigo, que muitos que entraram no PT queriam tirar da política”.


Para a revista, o apoio de Lula a Sarney tem o objetivo de garantir o apoio do PMDB a Dilma Rousseff nas eleições presidenciais de 2010.
A ministra-chefe da Casa Civil é classificada pela publicação como “uma nova recruta no PT”, com uma “competência impressionante, mas com falta de carisma para conseguir votos, como tem o presidente”.


Citando algumas dificuldades para a candidatura Dilma -como o diagnóstico de câncer e as denúncias da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira -, a “Economist” afirma, no entanto, que o maior desafio para a petista talvez seja a candidatura de Marina Silva à Presidência pelo PV.
“[Marina] Silva dificilmente se tornará a próxima presidente do Brasil, mas ela pode tirar votos de [Dilma] Rousseff. Antes disso, no entanto, ela terá que ordenar o Partido Verde, que também perdeu seu ímpeto moral em algum lugar de Brasília.” (BBC Brasil)


Atacaram a imprensa
Os advogados José Roberto Batochio (de Antonio Palocci) e Alberto Zacharias Toron (de Jorge Mattoso) fizeram suas defesas ontem no Supremo atacando a imprensa (tá na moda...). “O poderoso contra o humilde fascina a imprensa”, disse Batochio.


Resposta aos ilustres advogados: não fascina, não. Injustiça e pressões contra gente humilde, como o caseiro Francenildo, causa indignação e revolta, pelo menos aos jornalistas íntegros.


A existência, ainda, de jornalistas íntegros, é que parece causar amargura profunda a algumas excrescências que perambulam nos tribunais das altas cortes brasileiras.


Ainda o cartão O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), usou o microblog Twitter para defender ontem o colega de bancada Eduardo Suplicy (SP). Suplicy virou alvo de piada nesta semana depois de ter mostrado o cartão vermelho para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), numa alusão ao gesto do juiz de futebol que expulsa um jogador de campo.


Segundo Mercadante, o gesto de Suplicy reflete a indignação com a crise no Senado. “O gesto de Suplicy, inusitado e só dele, reflete a indignação nossa e da sociedade em relação à crise do Senado”, escreveu ele no Twitter.


Candidato
O ex-deputado e ex-candidato à Prefeitura de São Luís, Clodomir Paz (PDT), admitiu ontem que poderá sair candidato a senador, em 2010. Nos bastidores cogitava-se que ele pretendia disputar uma vaga de deputado estadual no lugar de sua mulher, a deputada Graça Paz (PDT), o que não deve acontecer.


Em conversa com jornalistas, Clodomir declarou que vai colocar o seu nome a disposição do partido para disputar uma das vagas majoritárias. O mais provável é que ele dispute uma vaga ao Senado.


Encontro (1)
A cidade de Matões deverá abrigar amanhã (sábado, 29) mais um encontro de lideranças de oposição ao governo Roseana Sarney (PMDB), que integram o Movimento em Defesa do Maranhão Livre (MDML). As lideranças, atendendo a convite feito pela prefeita do município, Suely Pereira (PDT), participarão do festejo do Divino Espírito Santo, que tradicionalmente ocorre no mês de agosto na cidade e, logo depois, realizarão um ato político na praça principal do município.


Encontro (2)
O ato deverá contar com a presença do ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB), do ex-governador Jackson Lago (PDT), do ex-ministro Edson Vidigal (PSB), dos deputados federais Roberto Rocha (PSDB), Domingos Dutra (PT) e Flávio Dino (PCdoB); do deputado estadual Rubens Pereira Junior (PRTB), além de lideranças políticas e comunitárias locais. No último dia 15 (sábado), estes mesmos líderes estiveram reunidos na cidade de Timon.


Cassação de mandatosA proposta de reforma eleitoral que está em discussão no Senado pode colocar fim a um impasse criado com a cassação pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) dos mandatos de governadores. O parecer assinado pelos senadores Marco Maciel (DEM-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG) acolheu uma emenda apresentada pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que determina a realização de novas eleições caso o ocupante de um cargo do Executivo perca o mandato.


A medida contraria o entendimento adotado pelo TSE, que tem repassado a vaga para o segundo colocado nas eleições. Esse procedimento foi adotado na cassação dos governadores da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), e do Maranhão, Jackson Lago (PDT). O PSB chegou a questionar no STF (Supremo Tribunal Federal) essa avaliação.
Efeito Sarney I A convite dos caciques peemedebistas, o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, foi ontem à noite na casa do deputado Eliseu Padilha, em Brasília, traçar um panorama do cenário eleitoral de 2010.


Em frente a um punhado de governistas, Montenegro voltou a dizer que Lula não vai conseguir eleger Dilma Rousseff e ressaltou que o PT está excessivamente desgastado.


Parte dos presentes achou uma avaliação exagerada faltando mais de um ano para a eleição, mas as explicações foram ouvidas com atenção.
Efeito Sarney IINos próximos meses os peemedebistas decidirão seu rumo para 2010, e a única certeza é de que este caminho será junto ao provável vencedor.


Montenegro ainda aproveitou a oportunidade para alfinetar o partido, criticando o fato de, mesmo sendo a maior legenda do país, o PMDB nunca construir uma candidatura própria à presidência.
Tudo por conta do “incomum” José Sarney...

Censura prévia é inadmissível

Carlos Heitor Cony, articulista da Folha de S. Paulo, criticou a veemência daqueles que, tal como a ANJ (Associação Nacional de Jornais), vêm reclamando contra violações à liberdade de imprensa no Brasil.
Disse estar havendo “exagerado fervor de certos setores da imprensa em reclamar de processos ou de sentenças da Justiça, considerando violação de uma liberdade a qual todos têm direito”. Lembrou ainda Cony que “o fato de um juiz aceitar um processo não é uma violação” (“Liberdade de imprensa”, pág. A2, 20/8).


Ele está absolutamente certo ao assinalar que todos têm direito de recorrer à Justiça quando se julgam caluniados ou vítimas de mentira ou equívoco divulgados por veículos de comunicação. E está certa também a Justiça quando pune, nos termos da lei, quem usa do direito à liberdade de expressão para caluniar ou divulgar mentiras. O bom jornalismo é feito com responsabilidade.


Ocorre que os reiterados protestos da ANJ e de tantas outras entidades representativas da sociedade, como a OAB, não são contra essas situações. Nossa denúncia e combate são contra a censura prévia que vem sendo exercida por alguns juízes, em total desrespeito à Constituição.

Diz o artigo 220 da Constituição que “A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição”. Esse é um princípio clássico do Estado de Direito e das verdadeiras democracias. Ou seja: todo mundo tem direito a dizer o que quiser e não cabe a ninguém definir previamente o que pode ser dito.


Outra coisa completamente diferente é o fato de que todo mundo também está sujeito a punições e aos rigores da lei caso use esse direito supremo da liberdade de expressão para caluniar ou mentir. Para esses casos, cabe recorrer à Justiça, que poderá aplicar a legislação de danos morais e/ou o direito de resposta. A ampla e irrestrita liberdade de expressão, portanto, não é um direito absoluto, mas precede os demais.
É assim nas democracias porque o direito geral da sociedade de ser livremente informada está acima dos direitos individuais.

Eventualmente, esse princípio maior pode implicar danos à honra ou à imagem de alguém. Esse é o preço de vivermos em plena liberdade. Mas ele é pago -como já se disse- pela legislação de danos morais e de direito de resposta. É um princípio simples e muito sábio, que coloca o interesse público em primeiro lugar.


Tomemos como exemplo o recente caso da decisão de um desembargador do Distrito Federal de proibir o jornal “O Estado de S. Paulo” e toda a mídia brasileira de divulgar fatos relacionados à investigação da Polícia Federal relativa ao empresário Fernando Sarney. Alguém tem dúvida de que isso é de interesse público? Mais do que isso, não cabe a ninguém decidir previamente se o direito individual de quem quer que seja está sendo ferido pela divulgação de informação. Esse julgamento só pode se dar posteriormente à divulgação.


Assim como a eventual punição. É contra esse tipo de situação, da censura prévia por meio de sentenças judiciais, que protestam a ANJ e tantos outros setores da sociedade. O impedimento da divulgação de informações é censura pura e simples.


Essas sentenças liminares acabam sendo revogadas por instâncias superiores do Judiciário. Mas, por menor que tenha sido o período de tempo de exercício da censura, o mal já foi feito. A sociedade foi tolhida no seu direito de ser livremente informada. Cony cita em seu artigo os 31 casos de violação à liberdade de imprensa ocorridos nos últimos 12 meses e denunciados pela ANJ. Desses, 16 foram de decisões da Justiça de censura prévia. São números eloquentes e inadmissíveis. Além desses casos de censura, houve outros, como prisão de jornalistas no exercício da profissão, agressões e atentados.


A ANJ, cumprindo sua missão de sempre defender a liberdade de imprensa como direito de toda a sociedade, seguirá denunciando, protestando e buscando conscientizar todos da importância fundamental da mais ampla liberdade de expressão.


Esses casos não significam que não vivamos em pleno regime democrático. Mas é preocupante o grande número de decisões judiciais de censura prévia. Cony lembra que na época da ditadura a situação era muito pior. É verdade, e a ANJ tem muito orgulho de ter contribuído nesses seus 30 anos de trabalho para que o Brasil de hoje seja muito melhor do que o daquele triste período.


Mas isso não significa que não devamos continuar a lutar e combater tudo aquilo que signifique violação ao interesse maior dos cidadãos de serem livremente informados. Continuaremos a fazê-lo, mesmo que seja apenas um caso a cada 12 meses.

(*) Presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais), na Folha de S. Paulo, edição de ontem

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Crise aberta entre Ministério Público e Secretaria de Segurança acaba com “Operação Manzuá”



O promotor de Justiça Cláudio Guimarães (foto 1) declarou, nesta quinta-feira, “guerra” ao secretário estadual de Segurança Pública, Raimundo Cutrim. Em entrevista à Rádio Mirante AM, Cláudio Guimarães disse que não existe apoio do secretário de Segurança para a deflagração da Operação Manzuá.




A declaração do promotor se baseia em um ofício encaminhado pelo secretário Raimundo Cutrim à promotora-geral de Justiça, Fátima Travassos, onde Cutrim comunica que a polícia não irá mais dar apoio à operação realizada pelo Ministério Público Estadual.




Cláudio Guimarães foi enfático ao afirmar que a retirada do apoio policial de Raimundo Cutrim tem cunho pessoal e caracterizou a situação como um confronto entre o Ministério Público e o secretário. Para o promotor, o secretário de Segurança está “confundindo” a figura de parlamentar com a de secretário e esta falta, em diferenciar funções, causa problemas para a Operação Manzuá e, principalmente, para a sociedade.




“O secretário resolveu retirar oficialmente o apoio da Secretaria de Segurança da Operação Manzuá. O secretário tomou esta decisão por razões de ordem pessoal, haja vista que ele já foi investigado pela minha pessoa, por estar liberando veículos no Detran de forma irregular. Ele tentou trancar essa investigação e não conseguiu. Tentou liberar bares que nós havíamos interditado e nós fomos lá e interditamos de novo. Cutrim está confundindo a atividade parlamentar com a de secretário de Segurança e isso tem causado problema. Houve um confronto entre o MP e o secretário a ponto dele mandar um ofício à procuradora-geral de Justiça, como se ele tivesse esse poder, dizendo que não vai mais autorizar as polícias Civil e Militar a acompanhar a Operação Manzuá. Hoje, a Operação Manzuá é um problema interno de conflito entre o MP e o secretário, pois a população tem apoio da população”, declarou o promotor.




Ele revelou, ainda, que esta não foi a primeira vez que o secretário de Segurança interfere em operações cujo objetivo é organizar o espaço público. De acordo com Guimarães, Raimundo Cutrim não sabe trabalhar em equipe e, por isso, os problemas acontecem.




“Em 2005, desencadeamos a Operação Sossego, com os mesmos objetivos da Manzuá. Pelos mesmos motivos de interferência do secretário de Segurança, a Operação Sossego acabou. O secretário Cutrim não tem essa flexibilidade para trabalhar de maneira dividida. Ele quer absorver e resolver tudo da maneira deles. Aí fica difícil trabalhar desta maneira”, criticou Cláudio Guimarães.




Cutrim rebate críticas


Ao tomar conhecimento das declarações do promotor de Investigação Criminal, Cláudio Guimarães, o secretário de Segurança, Raimundo Cutrim (foto 2), entrou em contato com a Rádio Mirante AM e rebateu as críticas feitas contra ele.




De acordo com o secretário, os motivos, que o levaram a tomar a decisão de proibir o apoio da polícia à Operação Manzuá, não estão relacionados a problemas pessoais com o promotor. Segundo Cutrim, a operação é ilegal e Cláudio Guimarães está realizando um trabalho que não diz respeito ao cargo que ocupa.




“Ele está enganado. Não tenho nenhum problema pessoal com ele. Eu nem bem conheço ele. Só não posso usar a polícia, como estava sendo feito, de maneira irresponsável para atender interesses pessoais dele. Todo o Maranhão sabe disso. Eu encaminhei um ofício à procuradora-geral do Estado dizendo que, a partir desta data, a polícia não iria dar suporte a esta operação irregular, pedindo uma consulta ao presidente do Tribunal de Justiça sobre a legalidade da operação. Com relação à operação, o MP tem suas atribuições previstas na lei, dentro da área de jurisdição e, pelo que eu sei, ele [Cláudio Guimarães] nunca foi promotor do Meio Ambiente. Ele está fazendo um trabalho que não o diz respeito”, afirmou o secretário.




Raimundo Cutrim desmentiu Cláudio Guimarães com relação a uma suposta investigação realizada pelo promotor contra ele. Segundo o secretário, os veículos do Detran só foram liberados dentro da legalidade.
“Ele [Cláudio Guimarães] nunca me investigou e nem tem porque ele vai me investigar. Foram liberados alguns carros dentro dos procedimentos legais”, finalizou o secretário de Segurança Pública.


Celso de Mello alega 'foro íntimo' e recusa relatoria do caso Sarney no STF

O ministro Celso de Mello se declarou nesta quinta-feira impedido de relatar o mandado de segurança protocolado no STF (Supremo Tribunal Federal) por senadores nesta quinta-feira contra o arquivamento de processos que envolvem o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Mello alegou razões de "foro íntimo" para recusar a relatoria do caso.


Com a recusa, o processo será devolvido ao presidente da Corte, Gilmar Mendes, que vai encaminhar o mandado de segurança a outro ministro do Supremo.

Sete senadores ingressaram hoje com o mandado de segurança para pedir que o STF autorize o plenário do Senado a julgar o recurso contra o arquivamento dos processos pelo Conselho de Ética da Casa --que foi arquivado pela segunda vice-presidente do Senado, Serys Slhessarenko (PT-MT).


O mandado é assinado por parte do grupo de 12 senadores --que apresentaram o recurso à Mesa Diretora do Senado contra o arquivamento. Ao negar o pedido dos senadores, Serys argumentou que a palavra final sobre os processos é do Conselho de Ética, sem a análise do plenário, o que motivou o novo recurso ao STF.

No texto encaminhado ao Supremo, os senadores pedem que o tribunal anule a decisão da Mesa Diretora do Senado, assinada por Serys, além de permitir que o plenário da Casa julgue o recurso.


"O recurso visa permitir ao plenário do Senado manifestar-se acerca das decisões do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado e de seu presidente, que ordenaram o arquivamento de representações e denúncias propostas contra o senador José Sarney", diz o mandado.
Os senadores argumentam que há acusações suficientes contra Sarney para que as denúncias sejam arquivadas pela Casa. "As representações e denúncias, pelas razões nelas expostas, pelos indícios de prova colacionados, pelos aspectos formais e regimentais das peças apresentadas e pelos pedidos efetuados, são absolutamente adequadas para iniciar o processo disciplinar competente para investigar as representações contra o senador José Sarney à luz da ética e do decoro parlamentar", diz o texto.


Segundo os sete parlamentares, a Mesa Diretora do Senado, por intermédio de Serys, não tem poderes para negar o recurso contra os arquivamentos sumariamente. "Não havia, como não há, razões jurídicas ou fáticas para o arquivamento das Representações e das Denúncias contra o senador. Do mesmo modo não há razão para que a Mesa Diretora não receba de recurso interposto pelos impetrantes."


O mandado de segurança é assinado pelos senadores José Nery (PSOL-PA), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Renato Casagrande (PSB-ES), Kátia Abreu (DEM-TO), Demóstenes Torres (DEM-GO), Pedro Simon (PMDB-RS), Jefferson Praia (PDT-AM).

Oposicionistas participam de ato contra governo Roseana em Matões

As principais lideranças de oposição ao grupo Sarney participam neste sábado (29), no município de Matões – distante 353.960 Km de São Luís – de ato político para repudiar as medidas adotadas contra o município pelo governo Roseana Sarney (PMDB).

Apenas quatro meses à frente do governo, a peemedebista cancelou convênios com dezenas de municípios, entre eles Matões. O governo, por meio de ação judicial, sequestrou os recursos destinados para a manutenção do hospital. Além disso, a Secretaria de Saúde do Estado reduziu a verba do SUS (Sistema Único de Saúde) destinada para o município.

Organizado pelo deputado Rubens Pereira Júnior (PRTB), pela prefeita Suely Silva (PDT) e pelo ex-deputado Rubens Pereira, o evento terá a participação dos ex-governadores José Reinaldo Tavares (PSB) e Jackson Lago (PDT); dos deputados federais Roberto Rocha (PSDB), Domingos Dutra (PT) e Flávio Dino (PCdoB); do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Tavares, do ex-ministro Edson Vidigal, ambos do PSB, entre outros.


SIMBOLISMO

Em 2005, Rubens Pereira também organizou encontro dos líderes da então Frente de Libertação no município. O ato marcou o primeiro evento público em que Jackson Lago e Zé Reinaldo estiveram no mesmo palanque.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Governo Roseana Sarney suspende convênio e põe em risco atendimento de 12 mil pacientes/mês no Hospital Aldenora Belo

Durante visita ao Hospital Aldenora Belo -- único especializado em tratamento de câncer no estado --, os deputados da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa constataram as dificuldades da casa de saúde após a suspensão de convênio de R$ 260 mil mensais pelo governo Roseana Sarney (PMDB).


O diretor administrativo José Generoso explicou que até o final do ano passado, o governo do Estado repassava R$ 260 mil por mês para à Fundação Antônio Jorge Dino, que administra o hospital. Afirmou que a interrupção da parceria tem causado prejuízos no atendimento à população. “Nós temos tentado junto à Secretaria de Estado da Saúde uma parceria para a realização de convênio para que o Estado possa suprir as deficiências do valor pago pelo Sistema Único de Saúde", disse.


“Eu estou agradavelmente surpresa com a organização do hospital, só que precisa de recursos. Por isso, nós, da Comissão, vamos solicitar ao secretário Ricardo Murad que retome esse convênio. O hospital recebia quase R$ 300 mil por mês e ninguém sabe por que o secretário de Saúde não renovou a parceria com a entidade”, disse a deputada Cleide Coutinho (PSDB).


Durante a visita, ela e os deputados Arnaldo Melo (PSDB) -- presidente da comissão -- e Márcia Marinho (PMDB) foram recebidos pela presidente da Fundação, Enide Dino, pelo diretor administrativo, José Generoso e pela assessora Sílvia Dino. Eles conheceram detalhes do funcionamento do hospital que atende em média 12 mil pessoas por mês, no setor ambulatorial; realiza em média 450 cirurgias, por mês; mil aplicações de quimioterapia e cerca de 350 aplicações de radioterapia.
Os deputados prometeram envidar esforços para que a Secretaria de Estado da Saúde retome a parceria com a Fundação Antônio Jorge Dino.


“Nós vamos fazer um relatório e encaminhar ao secretário Ricardo Murad no sentido de que o governo do Estado interfira no sentido de dar apoio a essa instituição que, ao longo de tantos anos, vem prestando relevantes serviços ao Maranhão”.

JABOR: O ESPETÁCULO SÓRDIDO DA POLÍTICA BRASILEIRA


Como comentar isso tudo? A indignação ficou insuficiente, o escândalo está desmoralizado, a vergonha está cansada. Não há mais filme de horror, não há filme pornô igual a isso que vemos.




Estamos nos viciando neste espetáculo de sordidez. E isso é ruim, porque a indignação é muda, é paralítica. Porque não se trata mais de netinhos nomeados, nem mensalinhos roubados, nem envelopinhos de empreiteiras, nem de gorgetinhas de macarrão.




Não se trata mais de um problema moral. As instituições estão sendo implodidas por dentro, pelos próprios donos do poder.
Em nome da governabilidade o governo está impedindo a governabilidade. E pior: este circo de anomalias serve para acalmar nossas consciências...




A gente fala: "que horror" e se sente santificado, mas não faz nada. A imprensa está sozinha ameaçada de censura pelos roedores da República...




Quando houve a crise do Collor, a indignação ainda valia. Intelectuais e figuras importantes do país, como Barbosa Lima Sobrinho e outros se manifestaram em bloco.


E hoje? Por que este silêncio dos intelectuais? Onde estão os carapintadas? Onde os manifestos de artistas famosos, das tais celebridades? Onde estão eles, além de exibir sua vida sexual nas revistas




e rebolar nas pistas de dança?


Cartão vermelho para a elite pensante do Brasil!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Roseana não quer ser Sarney

É impressionante observar como a governadora Roseana Sarney tenta ficar fora da mídia no que se refere às denúncias sobre seu pai. E olhem que várias delas a envolveram...


Nenhuma palavra, nenhuma tentativa de defesa. Nada. Logo ela, que está metida em atos secretos até o pescoço, nomeando parentes e amigos (como sua marqueteira que virou diretora). Isso sem contar, naturalmente, o faz-tudo “Secreta”, que recebe um salário de R$ 12 mil do Senado para, entre outras coisas, levar a turma de carteado de Roseana para jogar em Brasília, pagando as passagens com verbas daquela instituição e abrigando-os na própria Residência Oficial da Presidência. Resumindo: participou de tudo, sendo citada várias vezes, incluindo o fato de ter sido beneficiária de recursos “por fora” em sua campanha, depositados pelo seu irmão Fernando, o que acabou vindo à tona por meio da Operação Boi Barrica da Polícia Federal.


Com tudo isso, querem mesmo saber o porquê dela não defender o pai e muito menos o irmão enrolado? Ora, é fácil. Roseana quer passar a impressão de que não pertence à oligarquia; que é filha de Sarney, mas não está enrolada. Que é diferente...


Tudo tática de marqueteiro para não aumentar a rejeição. Ela reza para que a esqueçam. Pensa que assim escapará da rejeição que sufoca Sarney. Esse sistema de mídia montado para dar suporte político ao grupo e destruir a reputação dos adversários a faz imaginar que sairá apenas chamuscada com as coisas que são descobertas da família. Acorda, Roseana! Como separar?


Enquanto isso, o governo biônico que comanda é confuso e sem rumo. Principalmente por sua incompetência e omissão, deixando os secretários soltos, cada um brigando pelo seu naco de poder. Como não há liderança, a brigalhada é inevitável. Não se respeitam e começam a se engalfinhar pela imprensa, já que não existe coordenação.
Na Secretaria de Saúde, por exemplo, a confusão impera. No Consems (Conselho de Secretários Municipais de Saúde), por exemplo, ele cometeu uma enorme irresponsabilidade, pois os conselheiros recém-nomeados tiveram que engolir uma mudança nos critérios de distribuição das verbas do SUS que contraria todas as normas e a lógica do sistema. Essas verbas devem indenizar despesas de saúde nos municípios e, logicamente, os municípios pólos, que conseguem ter uma resolutividade maior e prestar serviços mais amplos naturalmente recebem mais pelos serviços efetivamente prestados.


Na mudança efetuada, instalou-se o samba do crioulo doido (como dizia Stanislaw Ponte Preta, saudoso cronista do jornal “Última Hora”) na saúde do Maranhão. Agora, a municípios que não possuem hospital ou condições de atender doentes reservam-se vultuosos recursos do SUS, retirados dos grandes municípios, que, por acaso, dada a sua população e melhor nível socioeconômico, geralmente são de oposição à família oligárquica.


Assim, o esperto secretario não terá o que pagar, e o dinheiro vai servir apenas para fazer política, pois sua aplicação se dará fora de qualquer critério, a não ser o que preconiza a aquisição de adesões políticas. Mais uma vez quem perde é a população mais necessitada, que sofrerá redução de atendimento.


Exemplo claro dessa manobra: A interrupção dos repasses (cerca de R$ 300 mil mensais) para a excelente UTI neo-natal de Caxias; a paralisação do hospital de Barreirinhas (para onde foram interrompidos os repasses, desde que Ricardo Murad assumiu a Secretaria de Saúde) e a inviabilização do atendimento de saúde em Tuntum, bloqueando verba para o funcionamento de novos hospitais. Enquanto isso, anuncia construção de alguns prédios - que chama de hospitais - sem previsão de médicos, equipamentos, etc.


O governo biônico já acabou com o ‘Saúde na Escola’, um dos melhores e mais importantes programas de governo que o Maranhão já teve. Por meio dele, criamos uma estrutura para atender as crianças das escolas públicas do estado, que antes não tinham como cuidar de cáries dentárias, além de noções gerais de saúde pessoal. Esse programa, que virou referência e era elogiado por todos, também atendia as crianças da família do estudante das escolas públicas. A liderança do programa era dada por Ceres Fernandes, que, comandando um grupo de grande competência e determinação, implantou o programa em mais de 100 escolas públicas. Visitei e inaugurei todas elas.


Não bastasse isso, em sua “volta ao trabalho” às avessas, esse governo acabou também com o “Mutirão da Cidadania”, outro programa de referência que, na capital e no interior do Maranhão, atendeu milhares de pessoas carentes e necessitadas em variados tipos de atendimento de saúde e de serviços básicos de cidadania, como a distribuição gratuita de milhares de óculos sob receita, ministrados por grandes profissionais da medicina, além de operações de catarata e outras. Era emocionante ver pessoas de mais de 60 anos finalmente usando óculos pela primeira vez na vida, assim como crianças que podiam corrigir outros problemas de visão e demais situações da saúde do corpo.


Não bastasse isso, este governo atual cortou todos os recursos para saneamento. Quem ainda não tem água, não terá agora. Lamentável. Lembro-me de que em 2002, somente 35% da população tinha serviço de água e, quando saí do governo, em 2006, o atendimento já cobria 55% da população, por meio de programas como o de instalação de banheiros e fossas sépticas, totalmente executados com recursos próprios do governo do estado.


Por fim, acabaram também com o Prodim, o Programa de Combate à Pobreza, assim como acabaram com os empréstimos para a agricultura familiar, que chegaram a R$ 380 milhões em 2006, e que hoje são apenas uma lembrança.


Esse elenco de bons programas que o governo biônico de Roseana Sarney interrompeu tirou da exclusão social mais de 600 mil pessoas, segundo o IBGE.


Agora, preferem inaugurar prédios de fachada. Preferem massacrar a população de baixa renda, contribuindo assim para, uma vez mais, atrasar o desenvolvimento do estado.


Outro dia, em uma reunião da ANJ (Associação Nacional de Jornais), o seu presidente disse que era inconcebível misturar propriedade de meios de comunicação com política e religião. Nessa mesma reunião, condenatória da censura imposta por Sarney ao jornal O Estado de São Paulo, Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo, disse que “A Globo é grande porque é ética; não é ética porque é grande”. Grande frase. Mas surge então uma dúvida: por que então, no Maranhão, a Globo se associa com a pior oligarquia brasileira, chefiada por um homem hoje execrado pela opinião pública e que se tornou símbolo de tudo que é anti-ético na política brasileira? É incoerente.

E Sarney virou mitômano. Não diz nada sem mentir!

Senadores querem que STF decida sobre análise de processos contra Sarney

Brasília - Alguns dos senadores que defendem o afastamento de José Sarney (PMDB-AP) da Presidência da Casa decidiram, hoje (25), recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o plenário do Senado possa votar todos os pedidos de investigação arquivados pelo Conselho de Ética. Eles pretendem ingressar, até amanhã (26), com um mandado de segurança e uma Ação Direta de Descumprimento de Preceito Constitucional, apresentada pelo P-SOL.


Renato Casagrande (PSB-ES), um dos integrantes do grupo, argumenta que o conselho negou o direito dos senadores de apurar denúncias de irregularidades envolvendo parlamentares e condenou a atitude da Secretaria-Geral da Mesa de ter arquivado a proposta de apreciação dos recursos pelo plenário.


Participaram da reunião no gabinete de José Nery (P-SOL-PA), além de Casagrande, os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Demóstenes Torres (DEM-GO) e Jefferson Praia (PDT-AM).


Renato Casagrande discordou que os recursos ao STF signifiquem apenas mais um gesto político adotado pelos colegas. Segundo ele, esse debate já ocorreu no Senado e, agora, “a expectativa é de que o Judiciário faça uma avaliação técnica do assunto.”

Suplicy 'encarna' juiz de futebol e dá cartão vermelho para Sarney


O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) voltou a cobrar hoje, em discurso, a renúncia do senador José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. Suplicy disse que Sarney deve esclarecer as denúncias que há contra ele ou renunciar ao cargo.


"Não conseguimos votar nenhuma proposição importante nesse segundo semestre do Senado, e não se vislumbra quando isso poderá acontecer. No meu entender, o arquivamento das representações não foram suficientemente esclarecidas. Para voltarmos à normalidade, o melhor caminho é que Sua Excelência renuncie ao cargo no Senado."
Com um cartão vermelho em mãos, Suplicy comparou a crise da Casa com um jogo de futebol ao afirmar que Sarney deve receber o cartão para deixar o comando da instituição.


"Se há forma do povo brasileiro compreender bem o que isso significa, é falarmos a linguagem do esporte mais popular do Brasil. Em virtude do presidente Sarney não ter aceito a sugestão de explicar tudo, o que faz o juiz nos campos de futebol do Brasil para que todos entendam? Apresenta o cartão vermelho", disse ao levantar o cartão.


Suplicy fez o discurso depois de trocar farpas com Sarney no plenário nesta segunda-feira. Na opinião do petista, as 11 denúncias e representações conta o presidente do Senado que foram arquivadas pelo Conselho de Ética da Casa "ainda não foram suficientemente esclarecidas".


O petista rebateu, uma a uma, explicações apresentadas por Sarney nos últimos meses a respeito das 11 acusações que resultaram nos arquivamentos. Em referência à acusação de que a empresa de um neto de Sarney foi beneficiada em contratos de empréstimos consignados firmados pela Casa, Suplicy disse que efetivamente instituições financeiras tiveram lucros depois que a empresa do neto do parlamentar foi contratada.


"Não estou afirmando que tenham relações, mas que cabe a investigação, no mínimo", afirmou Suplicy. O petista também criticou o fato de Sarney ter negado parentesco com pessoas nomeadas para cargos no Senado com quem efetivamente tem ligações familiares.


"O senador Sarney disse que Isabela Murad também não era sua parente, que a nomeou a pedido de um primo do governador do Maranhão. Ele deixou de dizer, nessa passagem, que ela é sobrinha do seu genro, Jorge Murad", disse Suplicy.


Censura

O petista havia se preparado para discursar contra a permanência de Sarney no cargo nesta segunda-feira, mas adiou o pronunciamento a pedido do senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Suplicy disse que o líder da bancada lhe pediu para reformular trechos do discurso antes de fazer sua leitura formal no plenário, por isso adiou o pronunciamento por 24 horas.


Sarney não acompanhou o discurso de Suplicy. O petista pediu para que o senador ficasse em plenário para ouvir suas palavras, mas Sarney argumentou que tinha compromissos fora do local. Frustrado, Suplicy manteve o discurso, mas lamentou o fato de Sarney não estar no plenário.
O petista disse que decidiu reagir depois de passar o final de semana em São Paulo, onde foi cobrado por eleitores e professores para fazer um discurso no plenário do Senado contra a permanência de Sarney no cargo.


(Da Folha Online)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sarney tenta não falar de crise, mas Suplicy lembra denúncias


Brasília - A tentativa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de colocar o Senado em um clima mais ameno acabou não surtindo efeito na tarde de hoje (24). Depois de ter visto, na semana passada, o Conselho de Ética do Senado arquivar as denúncias que pesavam contra ele, com ajuda de senadores do PT, Sarney tentou discursar somente sobre o centenário da morte de Euclides da Cunha, comemorado no último dia 15.


No entanto, ao final do discurso que durou mais de meia hora, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) voltou a pedir esclarecimentos sobre as denúncias de quebra de decoro que provocaram as representações contra o presidente do Senado.


“A situação não está bem resolvida. O arquivamento das representações não resolveu suficientemente os problemas do Senado", disse Suplicy. O petista ainda criticou o presidente Sarney dizendo que a entrevista concedida por ele à Globo News não cumpriu a função de "reconhecer os próprios erros".


“Quando Vossa Excelência observou que não cometeu qualquer falta, que não sente culpa de coisa alguma, ora presidente Sarney. Há ocasiões que, se erros cometemos, é importante reconhecermos", disse.


"Se Vossa Excelência não se deu conta que alguns procedimentos não foram adequados, seria importante ouvir seus companheiros no Senado sobre algumas coisas que muitos de nós não consideramos o mais adequado e gostaríamos de transmitir isso a Vossa Excelência. O reconhecimento dos próprios erros também é importante", disse Suplicy.
Sarney reagiu irritado dizendo que Suplicy não o tratou com educação ao questioná-lo em plenário, quando discursava sobre o escritor. Para Sarney, Suplicy agiu por "paixão política".


"Vossa Excelência coloca neste gesto um gesto que não é de Vossa Excelência. A não ser que tenha sido tomado por paixão política para que tenha desrespeitado as regras da educação e convivência parlamentar. Eu coloquei todas as acusações feitas à minha presidência do Senado. Se Vossa Excelência tiver alguma a apontar, coloque se é da minha primeira presidência, da segunda. Se naquela época não protestou, qual tomamos nos últimos cinco meses se não corrigir o Senado? Mas não quero arranhar a memória de Euclides da Cunha", afirmou.



A reação de Sarney deu início a uma troca de farpas entre os dois senadores. "As pessoas desejam um esclarecimento mais cabal que as dúvidas sobre os conteúdos das representações sejam dirimidas. Eu ouvi discursos de Vossa Excelência, fiquei com muitas dúvidas, gostaria de vê-las esclarecidas", retrucou o petista.


Desde que o Conselho de Ética decidiu arquivar 11 processos contra Sarney, é a primeira vez que ele discursou no plenário do Senado. Além de Sarney e Suplicy, mais quatro senadores estavam em plenário no momento do debate: Mão Santa (PMDB-PI), Mozarildo Cavancalti (PTB-RR), Geraldo Mesquita (PMDB-AC) e Roberto Cavalcanti (PRB-PB).

Castelo inaugura enfermaria para pacientes crônicos na Santa Casa de Misericórdia


Pacientes de doenças crônicas, que procuravam os hospitais Socorrão I e II, agora já podem ser atendidos em uma enfermaria específica com 65 leitos, inaugurada pelo prefeito de São Luís, João Castelo, na tarde desta segunda-feira (24), em um dos pavilhões da Santa Casa de Misericórdia. A cerimônia contou com a presença de autoridades da área da saúde pública e de dirigentes e servidores tanto da Santa Casa, quanto de unidades de saúde da cidade.


João Castelo explicou que, graças a um convênio celebrado com o Governo do Estado, a Santa Casa pôde ser equipada para assegurar um atendimento mais ágil, eficiente e adequado aos pacientes de doenças crônicas na capital. “O mais importante de tudo, nesta parceria, é que estamos colocando, acima de qualquer coisa, o interesse do povo e da nossa comunidade. É isto que importa”, declarou o prefeito.


Castelo explicou que a Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), em convênio com a Santa Casa de Misericórdia, irá repassar recursos financeiros, provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS), para manutenção dos serviços hospitalares oferecidos no atendimento dos pacientes de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes.


Castelo ressaltou ainda que, na medida do possível, irá envidar todos os esforços para apoiar e prestigiar aquela casa de saúde, em homenagem ao papel meritório que essa instituição sempre desempenhou em favor do povo maranhense. “No que depender de mim, tudo será feito para contribuir neste processo de ressurgimento da Santa Casa”, frisou o prefeito de São Luís.


O secretário municipal de Saúde, Gutemberg Araújo, informou que a enfermaria da Prefeitura de São Luís implantada na Santa Casa de Misericórdia conta com 65 leitos, que serão utilizados no atendimento de pacientes clínicos e crônicos. Segundo ele, o convênio firmado pela Semus foi idealizado com o objetivo de diminuir a demanda nos hospitais de urgência e emergência, Socorrões I e II.


A secretaria disponibilizará o quantitativo necessário para autorização de internação hospitalar e possibilitará, ainda, a internação dos pacientes dos Socorrões. De acordo com o secretário, a meta principal do convênio é desafogar os hospitais de emergência.


“Com essa iniciativa, agora contamos com mais espaço para atender melhor os casos de urgência. A enfermaria está totalmente equipada para dar suporte às principais necessidades dos pacientes: uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e técnicos da área da saúde estarão à disposição para o atendimento”, garantiu o secretario Gutemberg Araújo.
Em seu discurso, o provedor em exercício da Santa Casa de Misericórdia, médico Abdon Murad, manifestou seus agradecimentos em nome da instituição, destacando que é da maior importância o convênio celebrado com o hospital, pois este fará com que seja reduzida a superlotação tanto do Socorrão I, quanto do Socorrão II.


Segundo Abdon Murad, a partir de agora, os casos de atendimentos feitos com diabéticos e hipertensos serão todos transferidos para o setor especial da Santa Casa. A solenidade de inauguração da enfermaria também contou com a presença da secretária adjunta de Saúde do Estado, Socorro Bispo, dos ex-secretários de Saúde Ibraim Assub e Valdivino Castelo Branco e do presidente do Conselho Diretor da Casa, Benedito Duailibe Murad.


(Da Secom / Prefeitura de São Luís)

O NOSSO MARANHÃO QUE O PRESIDENTE DO SENADO NÃO VÊ

NESSAS MINHAS "ANDANÇAS" PELO O INTERIOR DO NOSSO MARANHÃO, CONSEGUI CAPTURAR ESSAS FOTOS QUE MOSTRAM NO ROSTO DESSES GAROTOS, COMO NOSSA GENTE É SOFRIDA E AO MESMO TEMPO NO FUNDO DOS OLHOS DESSES GAROTOS TEM UM PINGO DE ESPERANÇA DE UM MARANHÃO MELHOR!
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Prefeitura inaugura enfermaria para pacientes crônicos na Santa Casa nesta segunda


Para dar mais agilidade ao atendimento de doenças crônicas na capital, a Prefeitura de São Luis inaugura, nesta segunda-feira (24), às 15:30h, na Santa Casa de Misericórdia, uma enfermaria para pacientes clínicos e crônicos. Serão disponibilizados 65 leitos. O convênio firmado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semus) visa diminuir a demanda nos hospitais de urgência e emergência, Socorrões I e II.


A Semus disponibilizará o quantitativo necessário para autorização de internação hospitalar e possibilitará ainda a internação dos pacientes dos Socorrões. “A nossa meta principal é desafogar os Socorrões. Com essa iniciativa, teremos mais espaço para atender melhor os casos de urgência. A enfermaria já está totalmente equipada para dar suporte às principais necessidades dos pacientes. Uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e técnicos da área da saúde estarão à disposição para o atendimento”, garantiu o secretario municipal de Saúde, Gutemberg Araújo.


Os leitos disponíveis serão direcionados para os pacientes crônicos, identificados no Socorrão I e II. Os casos de atendimentos feitos com diabéticos e hipertensos serão todos transferidos para o setor especial da Santa Casa de Misericórdia.


Plano de medidas


A Prefeitura de São Luís está executando um plano de medidas efetivas para regularizar e melhorar o sistema de saúde da capital. Para isso, as ações planejadas pela Semus incluem ampliação, reforma e aparelhamento dos hospitais Socorrão I e II, funcionamento integral das unidades mistas, construção da Unidade Médico Ambulatorial de Emergência da Zona Rural e de um hospital de referência em urgência e emergência no Angelim.


Para garantir condições de melhorias nos serviços oferecidos na capital maranhense, a Prefeitura realizou, em apenas dois meses, o pagamento de débitos da Semus. Entre as metas para a saúde de São Luís, estão ainda a reforma, reestruturação e fortalecimento do atendimento nas unidades mistas e de pronto atendimento (UPAs), nos bairros da capital, com a implantação de aparelhos de ultrassom e raio-x em todas elas.
A obra de ampliação estrutural é fruto de uma parceria com o governo federal por meio do Programa Qualisus. A grande meta, de acordo com o titular da Semus, Gutember Araújo, é colocar em pleno funcionamento a rede que já está montada – 94 unidades de saúde -, de forma a atender bem e em sua totalidade a população. Para isso, segundo Gutemberg, o prefeito João Castelo está em busca de suplementação a fim de que o sistema do município possa funcionar e também atrair novos investimentos.


(Da Secom / Prefeitura de São Luís)

domingo, 23 de agosto de 2009

ESTE BLOG ENCERRA ESTA SEMANA COM A LETRA DA MÚSICA DE NOEL ROSA, REFLITAM MEUS NOBRES LEITORES, QUALQUER SEMELHANÇA É PURA COINCIDÊNCIA!


NÃO LARGO, NÃO LARGO E NÃO LARGO. QUALQUER COISA LIGO PRO TITIO LULA!
"Você tem palacete reluzente

Tem jóias e criados à vontade

Sem ter nenhuma herança ou parente

Só anda de automóvel na cidade...
E o povo já pergunta com maldade:

Onde está a honestidade?

Onde está a honestidade?
O seu dinheiro nasce de repente

E embora não se saiba se é verdade

Você acha nas ruas diariamente

Anéis, dinheiro e felicidade......

Vassoura dos salões da sociedade

Que varre o que encontrar em sua frente

Promove festivais de caridade

Em nome de qualquer defunto ausente...

Onde está a honestidade?

Onde está a honestidade?!"

Sarney e Renan ameaçaram Lula com retirada de apoio a Dilma


CHANTAGEM POLÍTICA

Posto contra a parede, presidente coordenou pessoalmente a operação para enquadrar o PT e arquivar as denúncias envolvendo Sarney

OTÁVIO CABRAL

Da Veja


A operação que salvou o presidente do Senado, José Sarney, começou no fim da tarde da quarta-feira, 12 de agosto. O presidente Lula convocou para uma conversa seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, e o presidente do PT, Ricardo Berzoini. Relatou aos dois um recado que havia recebido na véspera dos senadores José Sarney e Renan Calheiros. A dupla avisara que, caso o PT se negasse a usar sua força para engavetar os processos contra o presidente do Senado, o PMDB abandonaria a campanha presidencial de Dilma Rousseff. “Não vamos aceitar jogo de cena do PT”, disse Calheiros. Preocupado, Lula determinou a Berzoini e Carvalho que levassem a seguinte ordem ao senador Aloizio Mercadante, líder do partido no Senado: “É para salvar o Sarney”.



Embora tenha sido exitosa, a missão não era simples. Os senadores do PT estavam divididos entre a lealdade ao presidente e a própria sobrevivência política. A maioria não tinha nenhum problema de consciência em absolver Sarney, mas temia se desgastar junto à opinião pública. Afinal, cerca de 70% dos brasileiros, segundo pesquisa do instituto Datafolha, querem vê-lo fora do comando do Senado.


Contrariar a opinião pública, faltando pouco mais de um ano para as eleições, é sempre uma temeridade. O foco de resistência era o Conselho de Ética. Dois dos três representantes do partido, Delcídio Amaral e Ideli Salvatti, não queriam votar publicamente pela absolvição de Sarney, embora sejam ferrenhos aliados do senador. Estavam receosos do reflexo que isso poderia ter na campanha no ano que vem.


O único senador totalmente à vontade para defender Sarney era o amazonense João Pedro. Suplente, sem voto e, portanto, sem motivo para ter vergonha, João Pedro é um antigo companheiro de pescaria de Lula e faz qualquer coisa para agradar-lhe. Os dois votos petistas levariam Sarney ao cadafalso.


Para contornar o problema, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, sugeriu a substituição do senador Delcídio Amaral pelo suplente, Roberto Cavalcanti, do PRB da Paraíba (voto pró-Sarney). Ideli Salvatti se absteria na hora de verbalizar sua decisão e todos sairiam felizes.
Havia, porém, outro problema. O líder Aloizio Mercadante já tinha dito publicamente que não patrocinaria nenhuma manobra para salvar Sarney. Cabe apenas ao líder substituir os membros das comissões. Ficou acertado que, para evitar o constrangimento, Mercadante faria uma “viagem” ao Uruguai por uns dias. Ele topou a armação, mas, depois de pensar bem, voltou atrás.


Na tarde da sexta-feira 14, Mercadante ligou para Gilberto Carvalho para avisar que desmarcara a “viagem”. Mercadante concluiu que a manobra o desgastaria ainda mais perante o eleitorado. “Não vou mais. Na segunda-feira estarei no Congresso.” A quebra do acordo irritou o presidente Lula e o PT, que sentiu na decisão de Mercadante cheiro de traição e de uma indesejada rebelião no partido.


Tropa petista em ação – No fim de semana, Lula resolveu cuidar pessoalmente do trabalho de alinhamento dos senadores petistas, escalando uma tropa de choque para convencê-los da importância da missão. E que tropa...


José Dirceu, o “capitão” do time de Lula que hoje é réu sob a acusação de chefiar a quadrilha do mensalão, naquele tom que lhe é característico conforme o nível de servilismo ou resistência do interlocutor, falou aos colegas sobre a necessidade de salvar Sarney para ter o PMDB ao lado de Dilma em 2010.


Seu principal adversário dentro do PT, o ministro Tarso Genro, da Justiça, também ajudou na operação – usando a ameaça como argumento. A mando de Lula, Genro procurou o senador Paulo Paim, seu conterrâneo do Rio Grande do Sul, e falou que ele só seria candidato à reeleição se não fizesse nenhuma manifestação contra Sarney. Paim se calou.


Vexames e conversa com Roseana – O senador Mercadante, já sem controle da bancada que acreditava liderar, passou a protagonizar um vexame atrás do outro. Depois de desistir da farsa uruguaia, ainda ouviu um sermão de Ricardo Berzoini e Gilberto Carvalho. Os dois disseram ao senador que o governo não aceitava sua posição dúbia e que ele deveria substituir, sim, Delcídio Amaral e Ideli Salvatti no Conselho de Ética.
Mercadante, então, ameaçou pela primeira vez renunciar à liderança do PT no Senado. Embora ninguém tenha pedido que ficasse, ele não consumou a ameaça, advertido por Berzoini de que ainda poderia ficar sem legenda para disputar a eleição paulista de 2010.


O passo seguinte foi chamar Delcídio e Ideli para uma conversa. “Ser governo tem ônus e bônus. Agora é a hora do ônus”, explicou Berzoini. A dupla aceitou a missão. Na noite de terça-feira, Berzoini foi à casa da ocupante do governo do Maranhão, Roseana Sarney, em Brasília, e, na presença do senador, informou: “Vamos cumprir integralmente o acordo”.


No rol de humilhações, a cúpula do PT produziu mais uma para enquadrar Mercadante. Exigiu que ele lesse uma nota do partido orientando os senadores a votar pela absolvição de Sarney. Quem acabou lendo a nota foi o suplente João Pedro.


Delcídio e Ideli passaram a sessão calados e cabisbaixos, com o rosto enfiado em jornais e revistas, para fugir das câmeras de televisão. Na hora de votar, disseram “sim” para Sarney fora dos microfones.


Mercadante anunciou que renunciaria à liderança do partido. O senador chegou a marcar a hora do discurso da renúncia, a qual anunciou como “irrevogável”. Mas, depois de uma conversa com Lula, a coragem passou.
Ele então fez uma das mais convolutas piruetas político-semânticas de que se tem notícia. Mercadante conseguiu o feito digno de guru indiano de “renunciar à renúncia” e “revogar o irrevogável”. Continuará liderando a tropa petista sobre a qual ele já não exerce liderança alguma.


Em sentido inverso, a senadora Marina Silva cumpriu o que anunciou e abandonou o PT. O mesmo ocorreu com o senador Flávio Arns, que nem anúncio prévio fez. Ao se transformar em um partido em que um Renan vale mais do que uma Marina Silva, o PT perdeu o pouco de brilho que sua estrela ainda emanava.