quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Prisão ( ou Morte) anunciada


Por Aderson Lago

Nunca consegui esquecer o segundo turno das eleições de 1994. Foi a maior fraude já feita no Maranhão. Fraudaram mais de cem mil votos para inverter o resultado das eleições e proporcionar à filha de Sarney uma envergonhada vitoria contra Cafeteira por pouco mais de dezoito mil votos. Mas nada me chocou e impressionou tanto quanto a tentativa malograda de forjar um flagrante de porte de cocaína para a filha de Cafeteira. O objetivo era constranger o adversário na reta final da campanha e influenciar com a propaganda negativa o resultado da eleição.

Para quem montou a “operação Reis Pacheco “ (sequestro, morte e ocultação do cadáver de um morto-vivo atribuídos à Cafeteira), o plano frustado era apenas um aperitivo. Já se passaram quinze anos e as práticas políticas do grupo Sarney só pioraram. A violência, que não era utilizada para intimidar e coagir os adversários , passou a ser ferramenta importantíssima para a consecução desses objetivos. Vide a noite de autógrafos dos “Honoráveis Bandidos". A juventude hitlerista não faria melhor.

Tenho, desde o início do governo Jackson Lago e com mais intensidade após o golpe judiciário que o afastou do poder, sido o alvo preferencial dos achincalhes, dos insultos e das baixarias da mídia sarneysista. A ordem foi dada ao filho Fernando pelo próprio “honorável-mor", José Sarney, conforme comprovado nas escutas telefônicas da "Operação Boi Barrica". Esse é o modo Sarney de tratar os adversários. Portanto, não me surpreende a insistente e feroz tentativa de assassinar-me politicamente. Mas parece que isso não tem sido suficiente, daí a necessidade de fazer algo mais consistente, mais definitivo e com “aspecto legal".

Auditorias especiais e inquéritos são abertos e conduzidos de maneira leviana e irresponsável na tentativa de fazer de mim os bandidos que eles são. Periodicamente, as manchetes e o noticiário dos seus meios de comunicação me insultam e me atribuem crimes que nunca cometi. A minha castração política, a desmoralização como cidadão e até uma remota, mas possível eliminação física servirão de exemplo para desestimular aqueles que teimam em não se submeter ao seu comando.

Aí vem a segunda parte do criminoso plano urdido pela própria governadora Roseana Sarney, pelo secretário Ricardo Murad e pelo secretário Raimundo Cutrim. Dias atrás a governadora vazou para alguns parlamentares que eu seria preso nos próximos dias. O secretário Cutrim avalizou a informação e garantiu sua execução. A intenção é que a informação chegasse a mim. A suposição é de que diante da prisão arbitrária eu estarei preparado para reagir com violência ensejando uma oportunidade para ser espancado ou conforme a intensidade da reação até ser morto pelos executores da ação.

É lógico que uma arma de fogo seria “plantada" para justificar a reação descontrolada dos que forem me prender. Ao longo dos quatro mandatos exercidos como deputado estadual, participei ativa e intensamente das atividades parlamentares e dos debates políticos do meu estado. Jamais recebi uma ameaça ou me senti inseguro quanto à minha integridade física, mesmo no auge da CPI do Crime Organizado. Infelizmente, hoje não é esse o ambiente que respiro.

As práticas próprias dos regimes de excessão que se implantaram no Maranhão desde o golpe que retornou os Sarney ao poder, nos remetem a dias cada vez mais sombrios. Com muito mais intensidade, reimplantou-se a cultura do medo. Os adversários e os que reagem à cooptação são ameaçados de todos os modos e por todos os meios.

Ora é a polícia política que foi montada pelo Secretário Raimundo Cutrim, ora são as ações que tramitam no Tribunal Eleitoral, ora são as contas dos prefeitos e gestores que estão no Tribunal de Contas do Estado. Até mesmo ações na justiça comum são utilizadas como instrumento para ameaçar, punir ou cooptar.

Tudo isso é possível graças, como gostam de deixar transparecer, ao poder e influência que exercem em todas as esferas da Justiça no Maranhão e em Brasília. A par de todo esse instrumental é, também e principalmente, utilizado o formidável e inescrupuloso sistema de comunicação que possuem. Aliás, disse o próprio Sarney em entrevista, ele existe para ser usado politicamente.

É nesse clima asfixiante que vivemos hoje no Maranhão. Onde imperam as escutas telefônicas ilegais, as ameaças veladas, o uso da máquina pública em benefício pessoal e o mais despudorado assalto aos cofres públicos que se tem notícia. Até porque, com direito à propaganda nos meios de comunicação e completa blindagem com relação à Justiça, conforme gostam eles próprios de se jactar.

São milhões de reais contratados sem licitação na Educação, na Saúde e na Segurança. É a farra dos novos Hospitais para empreiteiros generosos, embora na contramão do SUS. São estradas licitadas no “combinemos" entre construtoras amigas. Talvez seja por isso que alardeiam, até com certa ironia : “de volta ao trabalho" e "mãos à obra".

E porque, mesmo sem mandato, nunca calei diante de tudo isso é que preciso ser eliminado, política ou quem sabe, até fisicamente. É por isso que chamo a atenção do Ministério Público, da Justiça, da Assembleia Legislativa, da clase política em geral, da sociedade civil organizada, para o que está sendo urdido, sendo tramado em nome da manutenção de um poder obtido ilegitimamente.

Ainda assim, diante de todos esses percalços, prefiro morrer de pé do que viver de joelhos. Tenho a tranquilidade dos que nada tem a temer e a paz de quem tem Deus ao seu lado. Espero que esse seja o ânimo daqueles que não perderam a capacidade de se indignar. Portanto, que Deus me proteja, que os amigos me ajudem e que o povo me apoie, pois agora, mais do que nunca, a luta precisa continuar.

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