sábado, 27 de fevereiro de 2010

Araras - Edson Vidigal


Quase ninguém se lembra mais dos macaquinhos, um pouco antes do amanhecer, farreando nos galhos da amendoeira. Não tinham medo de gente e eu mesmo cheguei a dividir com eles a minha banana matinal. Uma banana por dia, dizem os médicos, é o mínimo indispensável para não deixar cair o potássio.

Um estudo sobre os macacos concluiu o quanto eles dependem de potássio em sua química de vida e daí, portanto, essa gana toda por bananas. Tem médico mandando o pessoal comer bastante banana antes de qualquer tentativa de reposição hormonal.

Eu andava pelo mundo e não entendia porque os gringos não dispensavam, e ainda hoje não dispensam, uma banana. Hoje, eu entendo.

Os macaquinhos da amendoeira faziam um alarido danado ao pressentirem que alguém se aproximava da árvore, ou seja deles, com uma banana. Aquilo já era quase ritual.

O sol mal começava a ensaiar-se em enorme espelho sobre as águas quase paradas deste pedaço enorme de lago na península do Paranoá e os macaquinhos, de repente, não mais que de repente, sumiam.

Por um tempo, à noite, as antas andaram por estas trilhas das nossas caminhadas. Anta é o bicho mais besta de ser pego porque sobre o asfalto não deixa sempre os mesmos sinais.

Mas agora é uma arara que reina soberana em vôos quase rasantes entre a amendoeira outrora dos macaquinhos e uma mangueira adiante, na beira da trilha, quase margeando a água.

Às vezes a gente vem distraído, querendo ouvir só o silêncio, e de repente o susto num som seco como se fosse tirado de taboca rachada, - é a arara.

Tem gente que fala e mesmo sem zanga nos lembra uma arara. Não se diz por aí sobre alguém aborrecido que está uma arara?

Mas essa arara que botou para correr os macaquinhos da amendoeira da península não parece chegada a bananas, mas sei que adora manga.

Ela bica uma manga com tanto charme e solenidade que até lembra o Vinicius, nosso poeta da dor, do amor e da saudade, bicando suas doses da garrafa que mantinha em sociedade com o maestro Jobim, no bar do Antonios, em Ipanema, no Rio de Janeiro.

Foi lá que um telefonema de Frank Sinatra, querendo gravar a Garota de Ipanema, encontrou o maestro e aquilo lhe pareceu tão inverossímil que, num primeiro impulso, não quis atender, achando que era algum trote.

Conta uma testemunha que a sociedade dos dois naquela botelha acabou no dia em que nomearam como fiel depositário o incansável Carlinhos de Oliveira, que escrevia de lá mesmo sua crônica diária para o Jornal do Brasil.

Quero saudar hoje a tagarelice de todas as araras, convocar os barulhos, os sons das ruas, as buzinas dos sacanas que espantam os pedestres nas faixas de segurança quando o sinal ainda se mantém fechado aos automóveis.

Quero que as pessoas que julgamos sem educação porque conversam em voz alta nas filas, nos bares, nos restaurantes, por onde andam não conseguem falar em tom ameno, quero que aumentem os volumes de suas vozes e falem, falem, falem mais alto ainda, incomodando a todos até embarcarem seu desassossego nas trilhas do vento.

Quem sabe se assim, na tagarelice das araras, consigam tanger para o caminho de volta os nossos macaquinhos?

Goela abaixo

Por Zé Reinaldo Tavares

O jornal o Estado do Maranhão, na edição de sexta-feira passada, publicou a coluna Panorama Político do Ilimar Franco, que inicia com uma nota reveladora do medo que Sarney e Roseana Sarney sentem com respeito à candidatura de Flávio ao governo do estado.

A íntegra da nota (Goela Abaixo) é a seguinte: “Em almoço da ministra Dilma Rousseff com o PCdoB, anteontem, o presidente do PT, José Eduardo Dutra pediu que o partido retire a pré-candidatura do deputado Flávio Dino ao governo do Maranhão e apóie a reeleição da governadora Roseana Sarney (PMDB). O presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP), já havia feito o pedido ao presidente Lula em café da manhã no mês passado”.

Com a publicação no jornal dos Sarney, agora é oficial: o esperto senador deseja obstinadamente afastar Flávio Dino da disputa com sua filha pelo governo do estado. Eles têm pavor do que Dino representa: um político inatacável, que se destaca pelo brilhantismo de sua atuação na Câmara Federal e que hoje é ponto de referência em qualquer assunto que envolva os interesses maiores do Maranhão. Todos o procuram porque confiam nele.

Além disso, os Sarney sabem, por meio das pesquisas que mandam fazer, que 65% dos maranhenses querem renovar a política do Maranhão e querem um nome novo para governador. Daí o pavor. Daí terem tentado primeiro cooptá-lo, e agora, como não deu certo, querem impedir a sua candidatura.

José Eduardo Dutra foi ao PCdoB atender ao pedido de Sarney, pois é firme a convicção de que a direção nacional não intervirá no Maranhão a favor de Roseana contra Dino. Dutra cumpriu protocolarmente a sua missão se dirigindo ao PCdoB, que na verdade nada fará contra um dos seus mais importantes filiados e apoiará sua candidatura ao governo do estado. Os Sarney esperaram ardentemente que uma diretriz da Convenção Nacional do PT escolhesse Roseana como candidata a ser apoiada pelo partido no Maranhão. Como não veio, bateu o desespero.

Vão sofrer muito tentando ganhar do Flávio...

Um Manifesto

Deu no Blog do Vidigal


Já são mais de duas mil as assinaturas, sabendo-se que dentre as primeiras estão as do poeta Ferreira Gullar e do cineasta Zelito Viana, pedindo que Serra e Aécio se juntem numa chapa, assim nessa ordem – Serra Presidente, Aécio Vice.


"Em poucos momentos da história é possível unir duas lideranças ilibadas e representativas em torno de um projeto nacional democrático e progressista, vivemos um deles", diz o Manifesto.



"Serra e Aécio, nos cargos públicos que ocuparam, e ao longo dos anos, - prossegue o Manifesto - deram demonstração de competência, vocação pública e de compromisso com mudanças.

"Para dirigir o Brasil não precisam apresentar credenciais, já estão prontos, pois são o resultado do que tem de melhor a experiência política nacional nos últimos 20 anos", diz ainda o manifesto.


Para os subscritores do Manifesto "uma chapa Serra-Aécio significaria, antes de tudo, concretizar uma alternativa ao atual governo federal, que acertou ao dar curso a orientações que emanam de administrações próximas anteriores e fracassou ao não executar reformas agendadas e de grande alcance histórico como a política e a tributária.


Seria sinalizar a toda a sociedade que um novo projeto ético na vida pública e na política é possível".

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Oficinas realizadas pelo PDT instruem técnicos para atuar nas eleições

Instruir e conscientizar as assessorias jurídicas e contábeis sobre a legislação eleitoral vigente para as próximas eleições, esse é o objetivo das oficinas promovidas pela Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini na manhã desta quarta-feira, 24, na sede do PDT em Brasília.

Com o tema “Legislação e Contabilidade Eleitoral” o evento que tem a iniciativa do diretório do partido e pretende reunir o maior número possível de pessoas que atuarão nestas áreas durante a campanha, para evitar possível falta de instrução que possa interferir no desempenho técnico desses profissionais. É importante lembrar que o conhecimento das normas legais além de disciplinar os processos eleitorais exercem papel fundamental sobre o resultado dos pleitos.

A primeira etapa do evento que acontece nesta quarta-feira tem início às 9h e término agendado para as 18h. A segunda etapa do evento acontecerá no mês de abril, ainda sem data prevista.


domingo, 21 de fevereiro de 2010

Curso

Estarei nesta terça - feira (23/2), em Brasilia realizando curso - através do instituto Leonel Brizola - acerca das novas regras das eleições deste ano.


De lá mando notícias aos meu leitores.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Resgates - Edson Vidigal


Muitos ficaram com as boas lembranças que o poeta, em nome de todos nós, resumiu em saudades – ah que saudades que eu tenho da aurora da minha vida...

Outros só souberam da infância como um tempo que passou quase correndo sem lhes dizer pouco ou quase nada do que lhes poderia ensinar no aprendizado de viver.

Muitos receberam cedo as cobranças, sofreram as urgências das necessidades que suprimem as esperas e tiveram que tanger seus sonhos mais sonhados para os desvãos da memória para nunca serem esquecidos e no tempo certo, amadurecidos, serem despertados.

Antônio Carlos, o futuro maestro Tom Jobim, ficou órfão cedo e sua referência paterna foi o padrasto, que lhe deu um piano, passou-lhe o gosto pela música. Até firmar-se no mundo como grande compositor, estudou muito, trabalhou muito e passou por muitas necessidades.

Quando vejo o orgulho e a devoção com que Paulo, o seu filho músico, cuida do legado paterno e o difunde, e o exibe ao mundo, tudo bem guardado num acervo que só os grandes em vida podem fazer interessar, me emociono com as certezas das suas inspirações.

Numa manhã, há alguns anos, eu estava sossegado numa loja de discos, no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, garimpando uma prateleira de jazz, atrás de mais um Chet Becker, quando ouvi uma mulher de voz assanhada perguntando se já haviam recebido o disco da filha da Ellis.

Achei aquilo um tanto desrespeitoso com a moça. Ela tem talento próprio e formação musical. Quando Ellis morreu de overdose, aos 36 anos de idade, seus três filhos eram ainda muito pequenos. Tiveram infância normal, adolescência normal, hoje trabalham duro.

Assisti há pouco o DVD em que os filhos de Ellis resgatam a sua história, a sua luta, a sua integridade como artista sintonizada com o seu tempo, que abriu espaços a jovens promissores como Gil, Edu, Chico, Belchior e Fagner.

No resgate da história de vida da mãe, os filhos de Ellis nos provam o quanto o canto muitas vezes gritado daquela mulher pequenininha, naquele contexto, valeu a pena para o Brasil.

Na mesa ao lado, na padaria, o moreno abancado com a mulher, dois filhos, uma babá e a sogra, quase não consegue usufruir daquele momento em família, tantas são as pessoas que passam e param e as que se levantam para alcança-lo. Mostra-se atencioso e bem-educado.

Imagina só o que ele sofreu na escola e o que amargou na vida por muitos anos pelo simples fato de ser o filho que carrega o nome do pai, um homem adorado pelas multidões e pouco depois atirado pelo preconceito e pela inveja, unidas numa mesma maldade, para uma temporada no inferno de onde só saiu quando a saúde já não lhe garantia mais a alegria para viver.

Wilson Simonal Filho, o Simoninha, é o moreno gente fina na mesa ao lado, aqui na padaria da esquina. Ele e o seu irmão, o maestro e arranjador Max de Castro, acabam de resgatar de forma emocionante e corajosa a memória de seu pai, um dos maiores ídolos da canção popular no Brasil.

O jovem senhor que me visita testemunhou, menino ainda, a intimidade de um dos momentos mais trágicos da supressão das liberdades democráticas no Brasil, a deposição pelos militares de um Presidente da República, no caso o seu pai João Goulart. O pai, a mãe, a irmã e ele, amargaram décadas no exílio.

O pai, aliás, nunca voltou. Melhor dizendo, voltou morto, num caixão coberto com uma nova bandeira de uma nova luta, resumida na unica aspiração nacional – Anistia.

João Vicente Goulart cuida agora de resgatar a memória do seu pai, ontem tão ultrajada e hoje ignorada por muitos no Brasil. Ele é o Presidente do Instituto João Goulart.

Aquele verso do Poema Enjoadinho, do Vinicius – Filhos? Melhor não tê-los, não cabe nos exemplos de filhos como os de Tom Jobim, de Ellis Regina, de Wilson Simonal e de João Goulart.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Segura que a Salgueiro vem ai...


RIO - O resultado do desfile do Grupo Especial ainda é segredo. Mas, na noite em que se apresentaram as primeiras seis escolas, o público da Apoteose ovacionou a escola Salgueiro ("história sem fim") com gritos de "é campeã".

As lágrimas da presidente da Salgueiro rolaram na Marquês de Sapucaí, após a apresentação da escola, deixando os foliões presentes na avenida surpresos. A emoção pontuou a performance da escola vermelha e branca no primeiro dia no sambódromo.

"Mais uma vez, meu coração disparou e eu não me contive", afirmou Regina Celi, que estava acompanhada da filha Luise, 17 anos. "Vim para dar uma força a minha mãe", disse a jovem, que também usava a camisa de diretoria da escola.

O carnavalesco Renato Lage comemorava o sucesso da apresentação. "Cada Carnaval é diferente. A escola brincou, sambou e mostrou a alegria das pessoas", disse. "O Salgueiro não é só fantasia." Para Lage, a única escola que pode concorrer com o Salgueiro na votação do júri, na noite deste domingo, é a Unidos da Tijuca.

A escola cantou o enredo Histórias sem fim. Para conquistar mais um título, o Salgueiro trouxe como destaque a rainha de bateria Viviane Araújo, que causou furor na concentração quando apareceu com uma fantasia inspirada em As mil e uma noites e cheia de cristais Swarovski. Viviane se apresentou com uma roupa dourada e diversas pulseiras, que ela trouxe dos Emirados Árabes.

Na comissão de frente, os monges copistas se transformaram em cavaleiros e reproduziram iluminuras. Além disso, para impressionar os jurados, a vermelho e branco colocou alguns acrobatas em argolas suspensas e distribuiu 500 livros para o público da Sapucaí.

Puxado pelo mestre Quinho, os integrantes do Salgueiro levaram ao sambódromo luxuosos carros alegóricos com livros gigantes que foram desde a Bíblia até a Literatura greco-romana. A apresentação contou ainda com o carro alegórico O Brasil Mestiço, que destacou o romance O Guarani, de José de Alencar.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Passeata - Edson Vidigal


O propósito quando é bom, mas dependendo da credibilidade de quem o encarna, pode, sim, ganhar força e se alastrar contagiando de fé e incorporando alegria, primeiro, entre os que estão por perto.

Depois, a fé e a alegria, transmudadas em esperança, ganham consistência e seguem em correnteza incitando os imobilizados pelo desalento, repondo ânimo nos que perderam a dimensão da estrada, reativando as cronologias aos irrisórios de lutas.

Nessa lógica, o bloco do eu sozinho pode vir a ser um irresistível cordão, depois uma escola de samba e quem sabe, não muito tarde, uma enorme passeata ou uma atraente procissão.

Mas agora, na atual conjuntura, não há mais espaço para bloco do eu sozinho.

Os desafios que se acumulam em cobranças de ações não suportam jogadas individuais, leituras descontextualizadas manipulando conclusões.

Temos lideres passando da conta, mas dentre eles a um só cabe agora, para a próxima batalha, a tarefa de liderar. Quem é ou quem será, isso tem que ser definido logo em difícil consenso, é verdade, em pacientes buscas, renuncias sinceras, entregas corajosas, é verdade também.

Talvez eu nem precisasse dessas incursões pelo tão obvio, mas é que as obviedades, muitas vezes, também, são subestimadas e esquecidas.

Não vês agora esses vivandeiros das casas grandes e dos palácios trocando de mascaras para outro carnaval, o carnaval que eles imaginam interminável, tantas ainda são as migalhas das alegrias restantes? É prioritário acabar com esses estelionatários da fé publica, grandes agiotas da confiança popular.

Sempre que nos encorajamos a assumir sem culpas as tolices que nos fizeram sucumbir ao ludibrio dos espertalhões, assaltantes da nossa boa fé, descuidistas do nosso alheamento, sempre que assumimos a responsabilidade pelo mal que nos oprime, nos assalta e nos humilha, podemos crescer em forças para irmos à luta e vencermos.

Mas parecemos andar tão engadanhados com a opressão dessas mentiras, tão mal acostumados com as humilhações que nos são impostas, que parecemos esquecidos da lição mais simples, tirada de uma verdade bem antiga, essa de que a união faz a força.

A estrada é uma só, já a percorremos vitoriosamente algumas vezes, em umas fomos lesados antes da conclusão da jornada, na ultima concluída e incontestavelmente vencida, fomos covardemente usurpados.

Por estas paragens, a impunidade tem o seu lado, suas preferências, e funciona com seu manto de proteção imenso como a sombra da noite escondendo as coisas quando ate a lua também se esconde.

Quantos aos descaminhos escancarados dos quais se fala a toda hora e se estampa com letra de forma em páginas impressas ou digitais, espera-se que alguma coisa aconteça a partir de providências legais vindas de fora.

Tem gente que perde o sono só ao se imaginar entre os alvos eventuais da cena acontecida em Brasília.

O dono da janela tangeu a cortina para um lado, o olhar ameaçador e, teatralmente, num tom agressivo, intimidou. Estás vendo aquilo ali? É ali o cemitério onde eu enterro os que são contra mim.

O olhar do coitado, prefeito do interior, pousou bem adiante num enorme prédio branco. O Tribunal de Contas da União. Muito blefe porque lá não é bem assim.

Mas, então, gente, o que está faltando? Nada de atalhos suprimindo as certezas. Vamos em frente!

Oposição Irá Acertada - Zé Reinaldo Tavares

Começo esse artigo falando de reação. Sim, a oposição começa a reagir, reunindo-se com freqüência e acertando, com calma e maturidade, seus maiores problemas, quase todos seqüelas da eleição de 2008 para prefeitos. E a reação é contra as ações movidas pelo desespero deRoseana Sarney. Desespero porque sabe. Roseana sabe que está governadora unicamente por intermédio de uma decisão indefensável (a favor da qual não se encontra nenhuma sólida base constitucional) que a colocou no poder. Ela, a perdedora das eleições, sofre com ilegitimidade e opta por fazer ameaças e promessas de ajuda para tentar angariar apoios.

Contudo a oposição reúne esperanças. Os grandes obstáculos agora parecem pequenos e removíveis com as armas mais forte que temos: diálogo e paciência.

Não tenho dúvidas que chegaremos acertados às eleições. Breve teremos reuniões com todos os protagonistas para discutir a nossa conduta como participantes dessas eleições que prometem ser as últimas em que a oligarquia ainda tem força e poder. O único condicionante para as primeiras reuniões é que não existam condições prévias de nenhuma natureza. Vamos resolver tudo no consenso, apoiados em pesquisas qualitativas, já que as quantitativas nada representam nesse momento ainda distante das eleições. Vamos procurar nessas qualitativas a melhor maneira de juntar nossas forças, que não são pequenas, e vencer.

É isso que a população está querendo e chegou a hora de começarmos a olhar o pleito como o grupo mais próximo do desejo da população que antes de tudo quer ter a confiança renovada com a união de todos nós.

Isto está ao nosso alcance e vamos conseguir. Sem seqüelas, pois trata-se de líderes responsáveis e que novamente darão tudo por um Maranhão melhor.

Dito isso, vamos aos fatos. Em documento divulgado recentemente, o PT diz que não vai tolerar alianças com neoliberais e que só fará alianças com quem apoiar a Dilma Roussef, que será a candidata do partido. Então, como Flávio Dino é da base de Lula e vai apoiar a candidata do PT, o Maranhão não se enquadra de maneira nenhuma na restrição. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, completou a nota informando que não haverá intervenção de maneira nenhuma e tudo se resolverá pelo diálogo político.

Assim, quem apoiar a Dilma e tiver o apoio do partido nos estados, além de não contrariar a diretriz partidária que confere prioridade absoluta a eleição de Dilma, terá o apoio do PT. Um baque e tanto em Roseana Sarney e seu pai, pois com o PT, Flávio Dino será mais do que nunca candidato. Irremovível.

Sei que a turma da oligarquia e os jornalistas que apóiam o grupo ficam furiosos quando furamos o bloqueio e colocamos em dúvida os mistérios que cercam a refinaria. Com isso, reagem violentamente. Mas o que posso fazer? Sejam transparentes e deixem de querer mentir e enganar o povo. Que aceitem o fato e procurem mudar de postura.Aceitem que existem pessoas que poderão levantar coisas fundamentais que eles não querem discutir.

Afinal, vejam se essa história de Pedra Fundamental e muro do terreno tem seriedade. No dia da inauguração da tal pedra, anunciaram que iriam cercar o terreno imediatamente. Seriam 21 quilômetros de muro e que essa etapa ficaria pronta em maio. Já com quase um mês da pantomima eleitoral, que teve até a presença do Presidente Lula - imprescindível para dar credibilidade para um melancólico lançamento da obra que deveria ser a mais importante do Brasil - se você for até Bacabeira, verá que os possantes conseguiram fazer apenas 900 metros do citado muro.

Agora pensem comigo: nesse ritmo de construção vamos levar anos para terminar um muro. Quanto mais a refinaria em si. E mais: a Petrobras alertou que no orçamento da empresa, não há recurso para tal fim. Alguém pode esclarecer isso?

Quem falta com a seriedade: nós ou o governo de Roseana Sarney?

Pois bem, minha candidatura ao Senado vai ganhar importância para o PSB nacional, que a apoiará. Vamos caminhando para a consolidação política de uma candidatura que poderá dar fim à terrível hegemonia que José Sarney tem no Senado. Hoje estou convencido de que, se tivéssemos elegido Castelo em 2006, Jackson Lago não teria sido cassado. O Senado é onde Sarney tem espaço para as manobras, para fazer tudo o que quer, como realmente o faz. E sem nenhuma contestação, absoluto que é, há tanto tempo naquela Casa...

Portanto, para a oposição, a eleição de um senador é tão importante quanto a eleição do governador.

Mudando de assunto, tomou posse recentemente como presidente da Academia Maranhense de Letras o grande intelectual maranhense, Milson Coutinho. No seu discurso inicial, ele comenta a falta de apoio do governo do Maranhão. Curioso é o fato do imortal José Sarney não ter enquadrado a filha e conseguir o apoio fundamental para a entidade, obrigando o magistrado a reclamar em público.

No plenário, as críticas foram ainda maiores, pois todos sabem que há dinheiro até para inovações de gosto duvidoso, como brincadeiras de São João fora de época. Mas enfim... Esta é apenas mais uma contradição desse governo que pena por falta de legitimidade.

E para finalizar, rememoro a duvidosa contratação de vários “hospitais” sem concorrência e sem projetos, como atesta o próprio CREA. Nunca antes na história desse estado (parafraseando o nosso presidente), contrataram-se hospitais em lotes. Nenhum engenheiro consegue imaginar como isso é possível. E ainda pior: ao custo de mais de R$ 50 milhões. É um verdadeiro acinte e pavoroso escárnio aos órgãos de fiscalização. Só um Sarney consegue fazer isso.

Bom carnaval a todos. Brinquem com paz e alegria. Até a volta. Vou me ausentar por 15 dias e lamento ficar sem a companhia dos leitores que me animam e dão força.

Será?!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

As Novas - Edson Vidigal


Começa o dia, você liga o rádio, vê a televisão, folheia os jornais e se lhe perguntam pela novidade a resposta que sairia límpida logo se transfigura em outra pergunta – novidade? Não há novidade.

Essa inundação de informações quase afogando o silêncio da gente no amanhecer vai se diluindo com o correr das horas nos reencontros com a rotina, mas a impressão que fica é que não há novidade mesmo.

É muita tragédia. Muitas ações cínicas usurpando os espaços das ações cívicas. Muita imoralidade. Muita desonestidade. Muita crueldade. Muita indiferença. Inseguranças e doenças. Muito desrespeito.

Você se antena nessas mídias e logo se cansa na quase certeza de que aquilo tudo é antigo, os nomes não os mesmos às vezes, os lugares também não são os mesmos às vezes. De tudo, resta a quase certeza da mesmice, que não há novidade mesmo.

No Maranhão não é só a mesmice das noticias sempre tendenciosas, douradas como as antigas pílulas contra o estupor ou então intragáveis que nem óleo de rícino, tudo conforme o interesse do dono de tudo.

O problema está em não apenas ter que conviver com a mesmice dessas coisas, mas ter que aceitar calado a repetição das mentiras, as mesmas mentiras sobre todas as coisas.

Digo aceitar calado porque num lugar onde a República ainda não chegou e onde a Democracia é uma miríade muito distante, um lugar enorme mas onde tudo está dominado pela mesmice do mesmo, resta apenas protestar, protestar, mas protestar num lugar dominado pelas forças da ocupação não faz tanto efeito.

Clarice Lispector, a propósito dessa coisa de protestar escrevendo, perguntou a Rubem Braga se ele ainda acreditava que isso pudesse ter alguma influencia, gerar algum resultado.

Ele respondeu contando que, uma vez, ao voltar de Paraty escreveu sobre as belezas do lugar, mas também reclamando contra um alto falante na praça que nas tardes de domingo, num tom altíssimo, ensandecia as pessoas.

A crônica fez sucesso, todo mundo comentou, as pessoas de Paraty lhe escreveram agradecendo os elogios ao prazeroso lugar, mas tempos depois quando retornou lá nada havia mudado - o alto falante continuava no mesmo lugar com o seu som altíssimo desacatando o sossego das pessoas.

No Brasil, sentenciou Braga a Clarice, a gente escreve é para os colegas.

Em Portugal surgiu agora um movimento social reivindicando dos políticos e da mídia que parem com as mentiras velhas. Queremos mentiras novas! É só o que querem.

Não tenho idéia de como seria isso entre nós. Talvez o movimento logo se esvaziasse como esse da inelegibilidade dos políticos fichas sujas. Então vocês querem é mentiras novas, ah é? Pois aqui estão elas, novinhas em folha. Entre nós não falta político bom nisso. Nem mídia.

Daí que depois de tudo, atiçado por aquela impressão, a mesma de Torquato, num dos seus mais belos poemas, Domingou, – as noticias que leio conheço, já sabia antes mesmo de ler – só me resta, em busca de alguma novidade, garimpar os anúncios classificados.

É lá que estão grandes novidades. Como esta aqui, por exemplo, – Cantinho da Vovó, jogo de búzios e tarot, amarração e feitiços para o amor, faço e desfaço trabalhos. Trago a pessoa amada aos seus pés em 24.hs.

Que tal, isso não é uma novidade?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Mirante: Mentira


Por Weverton Rocha:


A qualquer custo, inclusive ao de mentiras e agressões, os veículos de comunicação da família Sarney deturpam toda notícia que não é favorável a eles.

O Fórum Estadual de Juventude do Maranhão foi um sucesso, tanto de público, 35 municípios participaram, quanto de resultados. A organização do evento ficou a cargo da UEP – União Estudantil Pinheirense, sob a coordenação da secretaria executiva do Fórum e com o auxílio da Prefeitura.

Juntos comigo, estiveram presentes vários jovens políticos expressivos do nosso estado, o deputado estadual Rubens Júnior, o ex-deputado federal Luciano Leitoa, o vereador Ivaldo Rodrigues, o secretário municipal Júlio França, o secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho Ezequiel Nascimento, Aziz Jr., o secretário de Esporte e Juventude de Imperatriz Arnaldo Jr., o vice-prefeito de Imperatriz Jean Carlo, o ex-prefeito de Matinha Beto Pixuta, e Érico Carvalho, filho do ex-deputado estadual Wilson Carvalho.

Não me cabe justificar o motivo pelo qual o presidente do Conselho Estadual de Juventude Rui Pires, entidade fundada na minha gestão como secretário de Esportes e Juventude, não foi chamado para a mesa, o fato é que, ao contrário das mentiras publicadas pelo jornalista Décio Sá, não fui alvo de nenhum constrangimento e fui recebido com muita cordialidade por todos.

Em momento nenhum conforme vocês podem conferir no meu blog, em matéria postada desde o dia 16 de janeiro, (http://www.wevertonrocha.com.br/page/2/), fiz parte do quadro de painelistas e nem fui citado para compor mesa ou debater, o ministério já estava muito bem representado pelo secretário Ezequiel Nascimento. Nunca briguei para aparecer, defendo minhas idéias sem a necessidade de holofotes como sempre fiz desde que ingressei no movimento estudantil.

Mais uma mentira divulgada pelo blogueiro Décio Sá é a de sofri constrangimento. Participei durante todos os dias do encontro, pois tudo que diz respeito à juventude me interessa. O jovem é minha bandeira de luta muito antes de possuir um cargo público. Saí do Fórum apenas para acompanhar o secretário executivo Ezequiel Nascimento, a convite do prefeito para conhecer alguns projetos desenvolvidos pela sua administração. Voltando a participar na noite de sábado da confraternização realizada pelos organizadores do evento.


Talvez seja a receptividade que tive de todos os pinheirenses, por reconhecerem no trabalho que a ajudo a desenvolver no ministério, a oportunidade de uma juventude mais esclarecida, e sem os arreios que um governo oligárquico e atrasado mantém durante quase 50 anos em nosso estado, que esteja incomodando o governo e seus veículos de comunicação. Afinal mesmo sendo a cidade de origem de Sarney, fui eu o responsável por levar pela primeira vez a Pinheiro, um ministro para assinar 500 vagas do Projovem Trabalhador, oferecendo oportunidade de emprego aos jovens do município.

Além disso, tem o fato de que nada do que disseram ou me acusaram foi provado. No entanto o Sistema Mirante, empresa utilizada dia e noite para denegrir a imagem de todos o que são oposição aos Sarney, não se cansa de inventar mentiras na ilusão de que o povo do Maranhão seja cego, e ainda viva debaixo de suas botas.

Não se cansam de me atribuir bens, mentir afirmando ser eu possuidor de carros, mansões e uma conta bancária milionária. Mas não explicam como a família Sarney ao longo desses anos acumulou tantos bens ao ponto de serem conhecidos como donos do Maranhão.

A verdade para essa trupe só tem um lado, a deles. E qualquer outra pessoa que discorde dos seus mandos e de sua política de opressão está fadado a sofrer com sua ira. Não me calo, e o resultado do que estou falando será visto nas urnas, quando toda a oposição unida derrotar mais uma vez esse governo de muitas propagandas e nenhuma ação.