sábado, 13 de fevereiro de 2010

Passeata - Edson Vidigal


O propósito quando é bom, mas dependendo da credibilidade de quem o encarna, pode, sim, ganhar força e se alastrar contagiando de fé e incorporando alegria, primeiro, entre os que estão por perto.

Depois, a fé e a alegria, transmudadas em esperança, ganham consistência e seguem em correnteza incitando os imobilizados pelo desalento, repondo ânimo nos que perderam a dimensão da estrada, reativando as cronologias aos irrisórios de lutas.

Nessa lógica, o bloco do eu sozinho pode vir a ser um irresistível cordão, depois uma escola de samba e quem sabe, não muito tarde, uma enorme passeata ou uma atraente procissão.

Mas agora, na atual conjuntura, não há mais espaço para bloco do eu sozinho.

Os desafios que se acumulam em cobranças de ações não suportam jogadas individuais, leituras descontextualizadas manipulando conclusões.

Temos lideres passando da conta, mas dentre eles a um só cabe agora, para a próxima batalha, a tarefa de liderar. Quem é ou quem será, isso tem que ser definido logo em difícil consenso, é verdade, em pacientes buscas, renuncias sinceras, entregas corajosas, é verdade também.

Talvez eu nem precisasse dessas incursões pelo tão obvio, mas é que as obviedades, muitas vezes, também, são subestimadas e esquecidas.

Não vês agora esses vivandeiros das casas grandes e dos palácios trocando de mascaras para outro carnaval, o carnaval que eles imaginam interminável, tantas ainda são as migalhas das alegrias restantes? É prioritário acabar com esses estelionatários da fé publica, grandes agiotas da confiança popular.

Sempre que nos encorajamos a assumir sem culpas as tolices que nos fizeram sucumbir ao ludibrio dos espertalhões, assaltantes da nossa boa fé, descuidistas do nosso alheamento, sempre que assumimos a responsabilidade pelo mal que nos oprime, nos assalta e nos humilha, podemos crescer em forças para irmos à luta e vencermos.

Mas parecemos andar tão engadanhados com a opressão dessas mentiras, tão mal acostumados com as humilhações que nos são impostas, que parecemos esquecidos da lição mais simples, tirada de uma verdade bem antiga, essa de que a união faz a força.

A estrada é uma só, já a percorremos vitoriosamente algumas vezes, em umas fomos lesados antes da conclusão da jornada, na ultima concluída e incontestavelmente vencida, fomos covardemente usurpados.

Por estas paragens, a impunidade tem o seu lado, suas preferências, e funciona com seu manto de proteção imenso como a sombra da noite escondendo as coisas quando ate a lua também se esconde.

Quantos aos descaminhos escancarados dos quais se fala a toda hora e se estampa com letra de forma em páginas impressas ou digitais, espera-se que alguma coisa aconteça a partir de providências legais vindas de fora.

Tem gente que perde o sono só ao se imaginar entre os alvos eventuais da cena acontecida em Brasília.

O dono da janela tangeu a cortina para um lado, o olhar ameaçador e, teatralmente, num tom agressivo, intimidou. Estás vendo aquilo ali? É ali o cemitério onde eu enterro os que são contra mim.

O olhar do coitado, prefeito do interior, pousou bem adiante num enorme prédio branco. O Tribunal de Contas da União. Muito blefe porque lá não é bem assim.

Mas, então, gente, o que está faltando? Nada de atalhos suprimindo as certezas. Vamos em frente!

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