domingo, 7 de março de 2010

CRIME DE LESA FUTURO


Por Jackson Lago

Esta semana o governo da senhora Roseana Sarney foi destaque no programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo. Destaque negativo. Mostrando o quadro de escolas fechadas, de atraso no início do ano letivo na rede pública estadual, o comentarista Alexandre Garcia disparou: “Aprender em um ambiente precário como nas escolas do Maranhão seria uma piada de mau gosto. Lugares como aqueles não poderiam existir. Agora estão fechadas, porque o ano letivo não pode começar. (…) Parece que isso é planejado para manter as crianças nos mesmos níveis de alfabetização, no mesmo humilde analfabetismo que os pais, para que sejam servos e não cidadãos”.

E concluiu: “Isso que acontece no Maranhão e em muitas escolas do país é crime de lesa-pátria, de lesa-futuro e até crime contra a vida”.

A crítica do comentarista da Rede Globo repete em outras palavras o que as oposições no Maranhão vêm dizendo há décadas: a oligarquia deixa a população no analfabetismo para, assim, poder manter sua dominação com mais facilidade. Cidadão alfabetizado é cidadão com mais capacidade de se informar, mais difícil de ser enganado.

O comentário devastador de Alexandre Garcia acontece quando minha ilegítima sucessora faz uma ofensiva televisiva tendo justamente a Educação como ponto central, destacando a construção de mais de cem escolas. Serão reais? Não sabemos. Mas, iremos fazer um levantamento. O que sabemos é que em seus sete anos de administração entre 1995 e 2002, somente três colégios foram construídos e quando a senhora Roseana Sarney saiu do governo o ensino médio existia apenas em 58 municípios do Estado. Nos demais 159, a juventude não tinha condições de prosseguir os estudos além do ensino fundamental.

Meu antecessor, doutor José Reinaldo, estendeu o ensino médio à totalidade dos municípios maranhenses. E, durante minha gestão, estava construindo prédios próprios para todas essas unidades de ensino criadas durante a gestão José Reinaldo.

O golpe judiciário de abril do ano passado que nos tirou da condução do governo do Estado, já encontrou 160 colégios construídos em minha administração e 310 outros reformados. Nas escolas já existentes e nas novas instalamos 291 laboratórios de matemática, 120 de ciências (física, química e biologia) e 794 de informática que, somados aos que já existiam, chegaram a 810 em todo o Estado.

Apesar do grande número de escolas construídas e reformadas, considero que a principal obra de meu governo no terreno educacional foi a criação do Sistema Integrado de Educação Pública (Siepe), constituído pela Secretaria de Educação, Secretaria de Ciência e Tecnologia, Universidade Virtual do Maranhão (Univima), Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Tecnológico do Maranhão (Fapema).

Com o Siepe, foi possível termos uma política educacional discutida coletivamente não só por essas instituições, mas também com a sociedade civil, o que foi feito através de 19 Seminários Regionais, com a participação de 31 instituições e cerca de 2.600 participantes efetivos.

Foi o Siepe que nos possibilitou dar um grande salto na educação. Mas, foi contra ele que se voltou a administração da minha sucessora, que o extinguiu. Os resultados dessa volta ao atraso na educação estão aparecendo e até repercutindo nacionalmente.

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