domingo, 29 de agosto de 2010

Ex-governador Zé Reinaldo desabafa em entrevista exclusiva ao site do Mhário Lincoln



BOMBÍSSIMA: “Efetivamente o Maranhão na década de 90 cresceu muito menos do que o Nordeste e do que o Brasil, em todos os anos conforme dados do IBGE transcritos no trabalho publicado pela Secretaria de Planejamento do Estado no quarto trimestre de 2009 sobre indicadores da economia maranhense nos últimos anos. Portanto a avaliação é de que os governos anteriores de Roseana ficaram bem próximos do caos, feita pelo atual governo dela”. (Zé Reinaldo)


ENTREVISTA COM ZÉ REINALDO
Entrevistador: Hélcio Silva

(Articulista de Política do PMLB).
Hélcio – Depois de Vitorino, instalou-se no Maranhão um forte grupo político com apoio popular, que tinha como principal missão desenvolver o Estado, até então com atividade econômica voltada apenas para agricultura. O que falhou no projeto, pois o Estado continua no mesmo atraso político e econômico?
Zé Reinaldo – “Esse movimento, como você chama, teve ajuda dos militares, principalmente do Marechal Castelo Branco que se encantou com José Sarney. Assim muitas coisas começaram a acontecer no país e no Maranhão que trouxeram grande popularidade ao seu líder o governador José Sarney. A partir daí Sarney se dedicou inteiramente à consolidação do poder no Estado e a busca por uma participação maior no poder nacional. E o desenvolvimento do estado passou para plano inferior”.
Hélcio – O Sr. participou desse grupo, evoluiu com o grupo, planejou com o grupo, exerceu os principais cargos públicos no Estado, além de ter sido ministro da República, sente-se também responsável pelo atraso em que se encontra o Estado?

Zé Reinaldo – “Fui escolhido para dirigir o DER sem nunca ter me encontrado com Sarney. Meu pai votava em Renato Archer e eu era diretor do DER do Ceará e professor auxiliar da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Ceará, onde me formei. Voltei para o Maranhão porque meu pai adquiriu um câncer terminal, daí eu resolvi voltar para ajudar a minha mãe e ajudar na criação de cinco irmãos. Depois do êxito do meu trabalho no DER, Sarney me indicou para vários cargos e me pediu para não aceitar o cargo de Secretário de Viação e Obras Públicas do estado do Ceará, convidado por Cesar Cals. Só entrei na política em 1990 quando me elegi deputado federal. Em 1994 eu era candidato a reeleição para deputado federal quando Sarney reuniu João Alberto, Lobão, Roseana, e outros para fazer um apelo para que eu aceitasse ser vice-governador na chapa de Roseana fortalecendo a chapa de quem nunca tinha dirigido nada até então. Todos sabem que fui excluído das decisões no governo da filha de Sarney por Jorge Murad e não era o candidato dela à sua sucessão como era notório na época. Só fui candidato por causa do episódio Lunus que nocauteou Roseana. Todos sabem que quando assumi o governo a primeira coisa que fiz foi chamar o IPEA e o IBGE para discutir os motivos que levaram o Maranhão a tanta pobreza. E a causa era clara: a falta de compromisso com a população durante tantos anos. E passei a corrigir o que achava errado”.

Hélcio – O seu governo também fez parte desses mais de quarenta anos de atraso. O Sr. considera sua administração, à frente do governo do Estado, como contribuinte para o caos que hoje se revela?… Aliás, o sr. considera o governo Roseana um caos ou um progresso?
Zé Reinaldo – “O governo da Sra. Roseana Sarney considera que os dois governos anteriores de Roseana, juntos com o de Edson Lobão, formaram o que foi chamado de “década perdida” para o Estado. Efetivamente o Maranhão na década de 90 cresceu muito menos do que o Nordeste e do que o Brasil, em todos os anos conforme dados do IBGE transcritos no trabalho publicado pela Secretaria de Planejamento do Estado no quarto trimestre de 2009 sobre indicadores da economia maranhense nos últimos anos. Portanto a avaliação é de que os governos anteriores de Roseana ficaram bem próximos do caos, feita pelo atual governo dela. Nesse mesmo trabalho, página adiante, encontramos a informação de que tudo mudou entre 2002 e 2007, quando o Maranhão cresceu muito mais do que o Nordeste e do que o Brasil em todos esses anos, período do meu governo. Eles mesmos respondem o que está sendo indagado. Efetivamente nesse período o PIB passou de 15 para 32 bilhões de reais, mais do que dobrando de tamanho e a renda per capita triplicou no período. Além de grande melhoria em todos os indicadores sociais”.

Hélcio – O nome preparado para romper o vitorinismo no Maranhão era Lino Machado. Com a derrota de Lino em 1947, outros nomes surgiram com grande potencial político até a eleição de 1965, com a vitória do Sarney. Insistiu-se muito, nesse intervalo de tempo, pelas candidaturas de Milet ou La Roque. Fosse um dos dois, o Maranhão teria mudado, livrando-se desse patamar de atraso?

Zé Reinaldo – “Não tenho como dar uma resposta a essa pergunta”.
Hélcio – O senador Sarney foi um atraso para o Maranhão? Ele não estava preparado para governar?

Zé Reinaldo – “Ele, como governador soube aproveitar bem a amizade que tinha com os militares e fez um bom governo para a época”.

Hélcio – Muita gente não sabe realmente por que o Sr. rompeu com o Sarney. Parece segredo de estado. Mas poderemos saber as razões pelas quais, ainda jovem, o Sr. aliou-se ao Sarney? Empolgou-se alguma vez crendo que Sarney era um estadista?
Zé Reinaldo – “A revista Isto É publicou, sem contestação, uma entrevista minha expondo os motivos do rompimento. E não é segredo, assim. O motivo real foi a solicitação de José Sarney para que eu apoiasse o seu filho Sarney Filho como candidato à minha sucessão. Roseana Sarney não gostou e o pai deve ter respondido a ela, quando questionado, sobre o porquê do apoio, que aquilo era iniciativa minha e aí ela resolveu tentar destruir o meu governo. Também ela não se conformava por eu não permiti interferências dela no meu governo. Quem rompeu foi ela e depois foi acompanhada pelo pai. Eu não me aliei jovem a Sarney. Quem me convidou para trabalhar no Maranhão foi Vicente Fialho na época Diretor Geral do DER. Quando foi nomeado para Prefeito de São Luis me indicou para ficar no lugar dele. Nem conhecia Sarney. O sucesso do meu trabalho é que aproximou Sarney de mim. Todos nós jovens técnicos pensávamos que Sarney era um estadista, como pode atestar Edson Vidigal, Lourenço Vieira da Silva e outros. Depois veio a decepção”.

Hélcio – O Sr. tem ódio do Sarney? Aceitaria participar de um almoço com ele?

Zé Reinaldo – “Não tenho ódio nenhum, já o derrotei. Nessa época quem extravasou seu ódio foi ele em um tresloucado artigo, assinado por ele e publicado em seu jornal quando Jackson assumiu. Esse almoço não tem nenhum motivo para acontecer, de parte a parte”.
Hélcio – O Sr. foi vice de Roseana, participou da administração dela. Considera a governadora competente?
Zé Reinaldo – “Roseana é totalmente despreparada para a administração pública”.
Helcio – A oposição está dividida. Não seria melhor, com uma só candidatura? O Jackson é teimoso?
Zé Reinaldo – “Acredito que o melhor são duas candidaturas. O Jackson é um homem de bem com fortes convicções”.
Hélcio – O Flávio está preparado para derrotar Roseana? O Sr. acredita nessa possibilidade?
Zé Reinaldo – “O Flávio não só está preparado como vai efetivamente derrotá-la e fazer um grande governo”.
Hélcio – O senador Mauro Fecury que é seu amigo e amigo do Sarney tentou em algum momento uma reaproximação entre o Sr. e o dr. Sarney?

Zé Reinaldo – “Sim, algumas vezes. A briga entre amigos comuns dele não o deixa à vontade”.

Hélcio – O rompimento com o Sarney foi um caso político ou pesou alguma questão pessoal?
Zé Reinaldo – “Já falei sobre isso”.
Hélcio – Por que o Sr. não topou a parada para ser candidato ao Governo do Estado? Ficou com medo de perder para Roseana?

Zé Reinaldo – “As pesquisas mostram que mais de 60% da população quer uma solução nova para o Maranhão. Estão cansados. Assim, não sou eu nem Roseana. É Flávio Dino”.

Hélcio – Quais são os seus planos se for eleito senador da República?
Zé Reinaldo – “Sofri muito quando governador porque não contava com o apoio de nenhum senador. É notório o caso da aprovação do empréstimo do Banco Mundial para combate a pobreza que só consegui romper o bloqueio montado por José Sarney depois de três anos de luta. O golpe contra Jackson Lago foi montado no Senado e foi facilitado por falta de um senador ligado contra a oligarquia. Os atuais senadores votaram contra a partilha igualitária dos recursos do Pré-Sal que daria R$ 1,7 bilhão por ano ao Maranhão porque Sarney pediu a eles para votar de acordo com os desejos do presidente Lula. Eles não são senadores do Maranhão. São do Sarney o que é péssimo para o Maranhão. Eles nem frequentam a TV Senado e não são vistos defendendo o Maranhão. É preciso, para o bem da população, quebrar esse ambiente que existe no Senado. Quero enfrentar essa situação e mudar a história do Senado em relação ao Maranhão”.
Hélcio – O Sr. tem projeto para ser candidato ao governo do Maranhão em 2014?
Zé Reinaldo – “Não pretendo ser governador novamente. Já fui e sei que dei grande contribuição ao desenvolvimento do Estado. O Maranhão tem que ter alternância no poder. Fará bem ao Estado”.
Hélcio – Quem foi pior para o Maranhão, Sarney ou Vitorino?

Zé Reinaldo – “Foram tempos muito diferentes e só espero que não tenhamos mais nada parecido com o passado que eles simbolizam”.

Hélcio – O Sr. poderia fazer para o Portal uma análise técnica sobre a atual situação econômica do Estado do Maranhão?
Zé Reinaldo – “Quando assumi em 2002 o Maranhão estava quebrado. Arrecadava R$ 62 milhões de ICMS por mês e pagava R$ 50 milhões mensalmente de dívidas contraídas por governadores que me precederam. Quando saí, a arrecadação de ICMS era de R$ 230 milhões por mês e a dívida era apenas um pouco maior devido a atualização monetária. Não pedi empréstimos e não deixei dívidas de curto prazo a pagar e cerca de R$ 400 milhões no cofre. Roseana já conseguiu R$ 1 bilhão de empréstimos desnecessários e sem especificar para que, e faz uma administração perdulária e cheia de gastos com dispensas de licitação que podem ter embutido sobre-preços. Está gastando a rodo sem nada importante entre suas prioridades. Se o Brasil entrar em crise o Maranhão não agüenta, tal o desperdício desse governo”.
Hélcio – O que o Sr. achou da greve de fome do deputado Dutra? O Sr. seria capaz de fazer uma greve de fome em protesto contra o sarneysmo?

Zé Reinaldo – “Aplaudi Dutra pelo simbolismo dos motivos da grave. Mas não acredito em greve de fome contra o sarneysismo”.

Hélcio – O Sr. foi governador do Maranhão e sua administração será avaliada nesta eleição, o mesmo acontecendo com o senador Lobão, que também foi governador. Qual a diferença entre o seu governo e o governo de Lobão onde o povo pode tomar como base para decidir quem seria melhor para o Maranhão no Senado?
Zé Reinaldo – “Essa pergunta foi respondida pelo trabalho da Secretaria de Planejamento do governo Roseana Sarney como descrevi acima”.
Hélcio – Por que os governadores do Maranhão, incluindo o seu, o de Roseana, de Jackson e de Lobão não resolveram o problema da Segurança Pública no Estado, onde a violência predomina à vista de todos?
Zé Reinaldo – “No meu período, basta ver as estatísticas para verificar que o Maranhão era o que tinha os menores índices de criminalidade do país. Hoje até a polícia civil fez greve por falta de segurança e as igrejas pararam de realizar missas nas tardes de domingo por falta de segurança. O governo de Roseana é um horror em todos os setores”.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Eleições 2010 - Precisamos mudar o rumo do nosso estado


Precisamos somar forças de todas as idades para vencermos, em definitivo, o atraso político - causa principal do atraso social e econômico em nosso Estado.


Precisamos estabelecer o quanto antes um pacto entre os segmentos que ainda restam pensando no bem estar dos outros de modo a que finquemos as bases para um projeto de Estado. Afinal, o que nos queremos que o Maranhão seja? Precisamos demarcar horizontes para estabelecermos os rumos certos pelos quais devemos caminhar.
Estou convencido de que sem um projeto de longo prazo de Estado os planos de governos serão inoquos, sem espaços para os sonhos, aproveitáveis talvez como base de roteiros para ficções surrealistas.


O próprio presidente Lula sabe que o Maranhão disputa, e não é de hoje, com Alagoas o primeiro lugar em  tudo o que não presta. Essa porfia, antes, na maioria dos indicadores de miséria, colocava o Piauí quase frente a frente com o Maranhão.
A queda, em definitivo, das oligarquias e a implantação em termos irreversíveis da alternância no poder político, libertou os Estados dos grilhões de atraso em que viviam. 
O Maranhão - 
a terra das palmeiras nas quais nem há mais sabiá a cantar - 
hoje, dominado há mais de quatro décadas por uma oligarquia decadente e cruel, continua sendo motivo de vergonha e de enxovalho.
É próprio Presidente da República quem reconhece e proclama que o Maranhão está na merda, mas que se dispõe a tirá-lo da merda. 
"Quero saber se o Povo está na merda, e eu quero tirar o Povo da merda em que se encontra.", disse o Presidente em recente encontro em São Luís. 
Por isso, temos a obrigação de mudarmos esse quadro nessas eleições. 

domingo, 8 de agosto de 2010

Jornalismo irresponsável


Grande parte dos jornalistas, possuem a péssima mania de repassar informações sem antes conferir suas fontes. 


Agora pouco me deparei com telefonemas me argüindo: " Teu pai virou secretário ?" . Sem entender nada, respondi :   " Aqui em casa não nos foi comunicado nada".  A outra parte retrucou: " Virou sim! E outra, segundo soube ele se meteu em uma briga e sacou uma arma". Sem entender nada mais uma vez, respondi: " Hoje é dia dos pais, e não da mentira!". 

A pessoa então resolveu provar, e disse: " Acesse o Blog do Caio Hostilio e verá o que estou dizendo". Então fiz o que me recomendou o amigo. Acessei. 

Quando acesso o Blog referido, me deparo com o post sobre uma briga de um secretário, que chegou a sacar uma arma. Até aí tudo bem. Se não fosse o fato que o referido blogueiro colocou a foto de meu pai - Sergio Motta ( Chefe Substituto do IBGE-MA) - como se fosse o tal secretário envolvido na briga. 

Fica aqui meu repúdio a este tipo de conduta - repassar informações sem conferir. E peço ao referido Blogueiro que faça a devida reparação, pois qualquer dano que macule a imagem de meu pai, iremos acioná-lo na justiça. 




terça-feira, 3 de agosto de 2010

MINISTRO APOSENTADO COMPULSORIAMENTE PELO CNJ

FELIPE SELIGMAN

DE BRASÍLIA

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) puniu nesta terça-feira com aposentadoria compulsória o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Paulo Medina. Ele foi condenado, por unanimidade, pela participação em esquema de venda de sentença judicial em favor de bicheiros e donos de bingos.



Foi a primeira vez na história que o conselho afastou definitivamente um ministro de um tribunal superior. A decisão ainda pode ser contestada no STF (Supremo Tribunal Federal).
Ele também responde a uma ação penal no próprio Supremo, onde será julgado por prevaricação e corrupção passiva.
No CNJ, ele respondeu a um processo administrativo disciplinar e recebeu a pena máxima prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional, que é a aposentadoria.
Por conta das investigações, Medina já estava afastado do cargo há mais de três anos. O CNJ foi criado em 2005 para realizar o controle externo do Judiciário e é formado por 15 membros.
O magistrado José Eduardo Carreira Alvim –do TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região– também recebeu a pena de aposentadoria compulsória. Assim como medina, ele foi acusado de fazer parte do esquema e responde penalmente no Supremo por quadrilha e corrupção passiva.
Investigações da Polícia Federal, que culminaram no início de 2007 na Operação Furacão (Hurricane), afirmaram que Medina teria negociado, por meio de seu irmão, Virgílio Medina, o recebimento de R$ 1 milhão por uma liminar concedida por ele em 2006 e depois cassada pela presidente do STF, Ellen Gracie.
Com essa liminar, foram liberadas 900 máquinas caça-níqueis que tinham sido apreendidas em Niterói.
Medina não aparece nas interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial, mas a PF registrou conversas entre empresários ligados ao esquema e o irmão de Virgílio que supostamente falava em nome do irmão.
Para o advogado de Paulo Medina, Antônio Carlos de Almeida Castro, não existe qualquer prova, em toda a investigação, de que ele tenha recebido propina. De acordo com Almeida Castro, o irmão de Medina usou o prestígio do irmão sem que ele soubesse do que se passava.
“Eu desafio alguém a mostrar qualquer indício, além do parentesco entre os dois. O que houve foi uma clara exploração de prestigio por seu irmão”, afirmou o advogado.
A advogada de Carreira Alvim, Luciana Gontijo Carreira Alvim, também negou a participação do magistrado no esquema.
O presidente do CNJ, ministro Cezar Peluso, não participou da sessão. Ele foi o relator do recebimento da denúncia contra Medina no Supremo e preferiu não participar do julgamento no CNJ. Peluso foi substituído pelo vice-presidente do conselho, ministro Carlos Ayres Britto.